Imprensa internacional contra o processo de Julian Assange

António da Cunha Duarte Justo

António Justo

Teólogo e Pedagogo


Um bom exemplo de como funciona a pressão indireta dos EUA sobre outros estados

"É mais barato cometer crimes contra a humanidade do que os descobrir" 1). Para manterem o povo submisso e ordeiro, as classes dirigentes pretendem uma informação subordinada aos próprios interesses declarados como razões de Estado!

Renomados meios de comunicação internacionais como Der Spiegel, New York Times, Guardian, Le Monde e El País acabam de dirigir uma carta aberta ao governo dos EUA pedindo que pare de processar o fundador do Wikileaks, Julian Assange, por publicar documentos secretos. Alertam que as acusações contra Assange são "um precedente perigoso e um ataque à liberdade de imprensa". Assange apelou contra a ordem de extradição para os Estados Unidos, onde enfrentaria 175 anos de prisão por espionagem, etc. Julian Paul Assange é um jornalista investigativo australiano, ativista político, ex-hacker de computador, programador, fundador e porta-voz da plataforma investigativa WikiLeaks.

Em 2010, o WikiLeaks, juntamente com o New York Times, o Guardian e o Der Spiegel, publicaram trechos de registros militares que, entre outras coisas, provavam crimes de guerra cometidos pelos EUA durante as guerras no Afeganistão e no Iraque (2). Em 2012, o WikiLeaks publicou documentos sobre o tratamento de detidos em prisões e centros de detenção militares dos EUA.

A divulgação dos registros militares atraiu a atenção mundial. A 11 de abril de 2019, Assange foi preso pela polícia de Londres dentro da embaixada equatoriana a pedido do embaixador do Equador depois que o presidente do Equador, Lenín Moreno, retirou seu direito de asilo.

Assange casou no dia 23 de março de 2022 na prisão em Londres. O casal não teve permissão para tirar uma foto oficial do casamento.

Quem segue o caso de Assange fica com um bom exemplo de como funciona a pressão indireta dos Estados Unidos sobre outros estados. Com isto quero dizer que se acompanharmos todo o processo de Assange notamos por todos os lados  a influência dos EUA nos estados em que ele se foi refugiando. Por isso é ao mesmo tempo uma humilhação para os estados, como o Equador que têm de dar o dito por não dito!

(1) Michael Sontheimer

Imagem de capa por Alisdare Hickson sob licença CC BY-SA 2.0


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