Guerra na Ucrânia: “enfraquecer a Alemanha” e “fortalecer os EUA”, diz documento da Rand

Alfredo Jalife-Rahme

Analista geopolítico, autor e docente


Nove meses após o documento confidencial de Rand, a maior parte das suas previsões são fiéis à letra


No meio da derrota do centro-esquerda na Suécia e da ascensão do seu centro-direita, que forçou a demissão da sua primeira-ministra Andersson, uma vulgar súbdita da NATO – que é o tom eleitoral na Europa, de acordo com o livro National Populism: the rebellion against liberal democracy, dos académicos britânicos Roger Eatwell e Matthew Goodwin (amzn.to/3dyGw5h)-, o portal escandinavo Nya Dagbladet expõe um documento chocante (sic): “Como os EUA planearam a guerra e a crise energética na Europa (bit.ly/3xzEM2H)”, de acordo com um documento confidencial alegadamente divulgado pelo influente think tank militarista e de cenários de guerra Rand: “Weaken Germany, strengthen the US (25/1/22), um mês antes da Operação Militar Especial da Rússia (Putin dixit) na Ucrânia.

A Rand afirma que “o actual estado da economia dos EUA não sugere que possa funcionar sem apoio financeiro (mega-sic!) e material de fontes externas (bit.ly/3qRXZIX)”. Ela julga que existe uma necessidade urgente de recursos para a economia nacional (dos EUA), especialmente do sistema bancário, e que apenas os países europeus vinculados por compromissos com a NATO e a União Europeia (UE) serão capazes de os fornecer, quando o seu maior obstáculo é a crescente independência da Alemanha: É de esperar um fluxo crescente de recursos da Europa para os EUA, se a Alemanha começar a experimentar uma crise económica controlada, de modo que cortar o fornecimento de energia barata (sic) da Rússia pode muito bem criar uma crise sistémica (sic) que seria devastadora para a economia alemã e indirectamente para toda a UE.

Segundo a Rand, o pré-requisito para a Alemanha sucumbir a esta armadilha (mega-sic!) é o papel crescente dos partidos Verdes (mega-sic!) e a sua ideologia na Europa que são susceptíveis de ignorar os argumentos económicos devido ao seu dogmatismo congénito (bit.ly/3dBRR4y). Salienta a falta de profissionalismo (sic) dos seus líderes fanáticos Annalena Baerbock e Robert Habeck, quando a redução do abastecimento energético russo levaria a um epílogo desastroso para a indústria alemã com perdas estimadas até 300 mil milhões de euros, o que provocaria o colapso (sic) de toda a economia da UE, com o colapso do euro, do qual a UE beneficiaria com uma reorientação logística de fluxos de até 9 biliões de dólares ($9 trillion).

Nove meses após o documento confidencial de Rand, a maior parte das suas previsões são fiéis à letra.

O Nya Dagbladet resume a crise energética na Europa que foi planeada pelos EUA e salienta que o documento reconhece que a política externa agressiva na Ucrânia irá pressionar a Rússia a intervir militarmente, uma vez que pretende introduzir um pacote de sanções há muito preparado. Concomitante ao fluxo redireccionado de 9 biliões de dólares de capital para os EUA, jovens europeus altamente qualificados serão forçados a emigrar. Para onde: para os EUA, que está a implodir entre democratas e trumpianos?

O Nya Dagbladet resume o pensamento estratégico da Rand, cujo “principal objectivo é dividir a Europa – especialmente a Alemanha e a Rússia – e destruir a economia europeia através da obtenção de idiotas úteis (mega-sic!) políticos para impedir o fornecimento de energia russa ao continente”. O axioma de Mackinder de 1904!

Nem a Rand nem o Nya Dagbladet comentam que a UE será forçada a comprar gás liquefeito (GNL) aos EUA, de fracking de xisto que é 40% mais caro do que o gás natural russo tratado por contratos a longo prazo em comparação com o preço das acções de GNL nos mercados europeus da Alemanha/Holanda/Grã-Bretanha/Áustria, onde o preço das suas acções subiu até mil por cento (mega-sic!), segundo o cientista político da Universidade de Princeton William Engdahl, que lamenta o “suicídio alemão e europeu (bit.ly/3xGqxsN)”.

Agora podemos compreender porque é que o Irão e a China afirmam que os EUA são os grandes vencedores da guerra na Ucrânia.

foto de capa por Ricardo Nuno


Peça traduzida do espanhol para GeoPol desde La Jornada


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