Salvemos a paz

António da Cunha Duarte Justo

António Justo

Teólogo e Pedagogo


Negociações diplomáticas não são do interesse dos mentores da guerra porque a guerra não se realiza no seu próprio terreno


A Vatican.news informou que o papa Francisco participou (25.10.2022) no encontro das religiões para a paz no mundo, promovido pela comunidade Santo Egídio em Roma.

Francisco salientou, no Coliseu, que não somos “neutros, mas pró-paz”. “É por isso que invocamos o ius pacis, como o direito de todos a resolver conflitos sem violência”. “As religiões não podem ser usadas para a guerra. Só a paz é sagrada e ninguém deve usar o nome de Deus para abençoar o terror e a violência”.

A InfoCatólica noticiou também neste mesmo dia que agências noticiosas relataram que a Rússia estaria disposta a entrar em diálogo com o papa Francisco, os Estados Unidos e a França para procurar uma solução para o conflito em curso. Difícil, numa situação em que todos querem sair vencedores…

Os representantes das religiões fizeram um apelo comum: “Não nos resignemos à guerra e que os governantes estejam inclinados a ouvir com seriedade e respeito as aspirações de reconciliação do seu povo. A guerra é a mãe de toda a pobreza”.

Todo o esforço das religiões pela paz tem sido pouco porque doutrinas religiosas e políticas se combatem e são usadas como instrumentos para grupos alcançarem o poder político (capitalista, socialista, arábico, etc.). Religiões e ideologias são usadas como pano de fundo para batalhas político-económicas! Na Ucrânia dá-se a luta global entre a mundivisão liberal e a autoritária. No Brasil na campanha eleitoral há uma promiscuidade de temas na opinião pública faltando por explicar a luta que há entre a mundivisão socialista e o capitalismo liberal.

Os políticos trouxeram a guerra e agora oferecem-nos paliativos porque não há interesse em acabar com a guerra, mas em fazer negócios com ela; os paliativos apenas servem para generalizar responsabilidades e desculpar a violência. A mistura de interesses geoestratégicos com interesses nacionais é também um paliativo temporário. Em nome da pátria morrem soldados em defesa de interesses alheios e de ideologias que enquanto não se apaziguarem legitimarão no tempo esta e outras guerras.

A renúncia à diplomacia só serve os interesses dos falcões. O argumento de se lutar pelo melhor impede o empenho na construção de uma cultura de paz! Precisamos de um mundo mais que melhor, mais humano!

Negociações diplomáticas não são do interesse dos mentores da guerra porque a guerra não se realiza no próprio terreno e quem a paga são as populações dos povos envolvidos no conflito.

Imagem de capa por Rasande Tyskar sob licença CC BY-NC 2.0


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