“Cimeira da NATO (sic)” em Los Angeles ou “das Américas”?

A Cimeira das Américas já não tem razão de ser quando Washington procura manter um neo-monroeismo mercantilista disfuncional com 199 anos e alucinações que harmoniza o Canadá e os EUA – membros da anglosfera e da NATO


Um editorial no Washington Post (WP) – porta-voz do establishment controlado pelo segundo homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, que está a rivalizar com o malfadado Biden – diz muito em referência à altamente divisória nona Cimeira das Américas (CA) na maior cidade mexicana dos EUA, Los Angeles – que, com a sua área metropolitana, ostenta 12,5 milhões de habitantes, dos quais quase metade são mexicanos: “Os EUA não podem unificar um hemisfério que está a desmoronar-se“.

A CA foi realizada em sincronia com a sua guerra retórica/judicial pró-civil, agora sob o pretexto do golpismo do trumpismo a 6/1/21. Segundo o WP, Biden é acusado de liderança irresponsável (sic), quando os EUA deveriam estar a orquestrar respostas regionais à migração em massa, Covid-19 e inflação.

Hoje em dia os EUA são um país diferente. Desde a primeiro CA do duo Clinton/Al Gore em Miami – um bastião anti-castrista – em 1994, quando o globalismo neoliberal começou o seu irredentismo unipolar, o mundo mudou substancialmente 28 anos depois com a desglobalização, a derrota humilhante dos EUA no Afeganistão, a operação militar especial da Rússia na Ucrânia, e a irresistível ascensão da China que penetrou agora nas entranhas da América do Sul e da maior parte da América Central.

A CA, 28 anos depois, já não tem razão de ser quando Washington procura manter um neo-monroeismo mercantilista disfuncional com 199 anos e alucinações que harmoniza o Canadá e os EUA – membros da anglosfera e da NATO, agora em guerra na Ucrânia através do seu fornecimento de armas contra a Rússia – com os cada vez mais empobrecidos 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que ainda carecem de dentes.

Com objectivos tão díspares e mesmo antagónicos – por exemplo, o caso de Cuba, Nicarágua e Venezuela, que têm excelentes relações com a Rússia e a China – a dupla UE/Canadá, da NATO no hemisfério está a tentar impor a sua anacrónica cosmogonia globalista neoliberal e a ideologia belicosa do pacto militar do Atlântico Norte quando a maioria da América Latina (AL) – para não classificar as suas duas principais potências, Brasil e México – são mais pacifistas na sua perspectiva.

A CELAC, representada hoje pelo presidente argentino Alberto Fernández – que fez uma utópica arenga humanista citando o ppa gaúcho/jesuíta Francisco (que tem problemas de saúde que poderiam levar à sua demissão, segundo as minhas fontes celestiais) – marcou claramente o fosso entre a cosmogonia humanista da maioria das nações da AL e da CELAC, com problemas prementes e obstáculos a resolver, face a duas potências militares expansionistas de alta tecnologia – uma delas nuclear: praticamente em pé de igualdade com a Rússia – que impõe sem cerimónia as necessidades do seu complexo industrial-militar.

A um nível mais rupestre, há um mal-estar generalizado na AL sobre a imposição de marionetas como Juan Guaidó na Venezuela, a líder golpista Jeanine Áñez na Bolívia, e a paixão do uruguaio Luis Almagro, secretário da OEA: um personagem minúsculo com um poder metastásico desmesurado.

Com zero tacto diplomático, Biden telefonou na véspera da CA ao suposto presidente paralelo Guaidó, ao qual o presidente legítimo, Nicolás Maduro, respondeu com uma visita ao Irão.

Já na véspera do CA, Richard Haass, presidente do influente Council on Foreign Relations, sediado em Nova Iorque, tinha previsto o seu fracasso devido ao seu enfoque na selectividade do direito à assistência.

A candidatura de Biden parecia ter sido convocada na mentalidade da dinâmica da NATO no seu confronto com a Rússia na Ucrânia e na sombra da penetração bem sucedida da China na AL.

O Global Times da China não se perdeu que um dos objectivos da CA foi a criação da Parceria altamente etérea para a Prosperidade Económica (sic) das Américas, cujos objectivos aparentes (sic) são contrariar as Rotas da Seda da China.

Imagem de capa por stttijn sob licença

La Jornada

As ideias expressas no presente artigo / comentário / entrevista refletem as visões do/s seu/s autor/es, não correspondem necessariamente à linha editorial da GeoPol

Para mais conteúdos, siga os nossos outros canais: Youtube, Twitter, Facebook, Telegram e VK

Leave a Reply