Um só Estado teocrático judaico, dois estados, uma confederação (ou um referendo)?

Israel domina esmagadoramente o todo o “Grande Médio Oriente” graças ao apoio dos EUA: mares (cinco submarinos), terra (2.000 tanques) e céu com uma das forças aéreas mais poderosas do mundo repleta de aviões (595) e drones (o maior exportador mundial); e entre 200-400 bombas nucleares clandestinas.

O que foi mais marcante no enésimo choque em Gaza e em “Jerusalém Oriental” em Al-Quds (árabe para “sagrado”) foi tanto o espantoso despertar dos millennials “árabes israelitas” (sic) – 20% da população de Israel – nas cidades “mistas”, como a reconectividade identitária dos palestinos de Gaza com “Jerusalém Oriental”, Cisjordânia e “palestinos israelitas”.

O icónico bairro palestiniano de Sheikh Jarrah em “Jerusalém Oriental” em Al-Quds – ocupado e sitiado por colonos israelitas minoritários, na sua maioria não semitas – tem o nome de um dos médicos do grande conquistador islâmico Saladino.

Os habitantes indígenas palestinianos estão a ser desapossados e despejados do Sheikh Jarrah por cazares asquenazes de origem mongol-asiática central, que praticam a “limpeza étnica” e a alienações cadastrais com a bênção do primeiro-ministro cessante Netanyahu e a sua deliberada “guerra civil”.

Como podem aqueles que nunca lá estiveram antes “regressar” a “Jerusalém Oriental”?

“Jerusalém Oriental” foi unilateralmente anexada por Israel em 1980, que agora se dedica a confiscar propriedade palestiniana para os deixar em minoria para a nova “maioria” de colonos asquenazes cazários não semitas.

Deixarei de lado as críticas internacionais ferozes para me concentrar apenas nos pontos de vista dos próprios israelitas.

Após o fracasso do primeiro-ministro cessante Netanyahu em formar um governo de coligação, o presidente de Israel Reuven Rivlin nomeou Yair Lapid (YL), do partido centrista Yesh Atid (“Há Futuro”), para formar um novo gabinete.

YL atacou o momento do “incêndio que sempre (sic) acontece precisamente quando é mais conveniente para o primeiro-ministro”.

De passagem, YL atacou o legislador “lunático” Itamar Ben-Gvir (IBG), que “desempenhou um papel central na escalada das tensões em Israel e na conflagração em Gaza”.

Na sua macabra aliança com Netanyahu, o IBG abriu um provocador escritório offshore no icónico bairro palestino de Sheikh Jarrah, onde os palestinos indígenas sofrem despejo e desapossamento das suas propriedades com o objectivo de judaizar gradualmente “Jerusalém Oriental”, onde 340.000 palestinianos ainda resistem heroicamente e sobrevivem sob o cerco de 215.000 colonos israelitas.

A ideologia teo-supremacista tóxica de Otzma Yehudit (“Força Judaica”) – designada “terrorista” pelo Departamento de Estado dos EUA! – proclama a “única (sic) solução de Estado teocrático judaico” que inclui a anexação da Cisjordânia – considerada ilegal pela ONU – e a “transferência” (sic) de 6 milhões de palestinianos indígenas do rio Jordão para o Mar Mediterrâneo.

Otzma Yehudit, um dos descendentes do partido Kach proibido, fundado pelo rabino Meir Kahane, ainda é um partido marginal, mas é usado por Netanyahu para se eternizar no poder.

O cessar-fogo iminente, paradoxalmente, dá o “triunfo” pírrico aos dois adversários: ao Hamas, com a sua vitória táctica e a sua miraculosa reconectividade com as “quatro Palestinas” e os “quatro subtipos de palestinos”, e a Netanyahu, que pode eternizar-se no poder ao preço do vilipendiado apartheid de Israel e da sua “guerra demográfica”.

O que se segue?: “Um só Estado” teocrático judaico supremacista, “dois estados”, uma “confederação” (ou um referendo)?

As ideias expressas no presente artigo / comentário / entrevista refletem as visões do/s seu/s autor/es, não correspondem necessariamente à linha editorial da GeoPol

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