Israel: o que se ganha com a violência…

…só à força pode ser mantido. Esta sabedoria vem de Mahatma Gandhi e descreve o problema básico do Estado de Israel. Acrescento: Um Estado construído sobre mentiras tem poucas hipóteses de desenvolvimento positivo contínuo. Ambos são válidos para Israel, bem como para a RFA. Mas quem deve ser responsável por isto?

Com a fundação do Estado de Israel em 1948, a violência na Palestina agravou-se. Desde então, esta região tem sido flagelada pela a expulsão, o assassinato e a guerra. Mas não era assim no princípio. Até cerca de 1919, não havia conflito entre judeus e árabes. Pelo contrário, os árabes e palestinianos acolheram os judeus e esperavam um progresso comum com os judeus imigrantes que trariam a modernidade à terra. O conflito que continua até hoje foi deliberada e insidiosamente fabricado a partir do exterior, começando em 1920. Estou convencido de que Israel, a Palestina, só pode encontrar o seu caminho de volta à paz se não forem apenas as pessoas que lá vivem a compreender que todos eles, sublinho todos, foram vítimas de uma estratégia pérfida concebida para desestabilizar permanentemente aquela região. Infelizmente para todos, esse plano tem sido terrivelmente bem sucedido. Até hoje.

Penso que, à excepção de alguns exemplares verdadeiramente desprezíveis da espécie humana, todos os seres humanos partilham um objectivo comum: a vida em paz, liberdade e prosperidade. Tal como, claro, os judeus e os árabes. Isto também é evidenciado por numerosas iniciativas de paz levadas a cabo conjuntamente por palestinianos e judeus.

Relativamente à actual escalada, deve ser colocada uma questão básica que se aplica a todas as áreas de crise, e não apenas no Médio Oriente: De onde vêm as armas? Actualmente, está a ser noticiado que mais de 1.000 foguetes foram disparados contra Israel a partir da Faixa de Gaza. Embora sejam armas da concepção mais simples, devem ter sido fabricadas algures e a fonte das matérias-primas também deve ter tido origem fora da região. Portanto, agora também é verdade que esta escalada deve ter sido alimentada, pelo menos, do exterior. Quem beneficia dela e quais são os planos por detrás dela?

100 anos de Palestina: uma história de assassinato e violência

Acho que se tem de pensar mais do que isso. Que poder poderia vir de um Médio Oriente que perseguisse objectivos comuns em cooperação pacífica? Com todo esse petróleo e gás. Foi exactamente isso que aconteceu depois do Império Britânico ter esmagado o Império Otomano em 1916. Uma união económica e política comum – desde a fronteira persa até ao Mediterrâneo – como “herdeiro” do Império Otomano. Mas isso teria incluído o controlo do Canal de Suez, juntamente com o Egipto. Um pesadelo para os estrategas do Império Britânico, e ainda por cima a iminente conclusão do “Bagdad Railway” de Hamburgo a Basra, no Golfo Pérsico. Lembremo-nos da Guerra de Suez.

Se olharmos para a história da Palestina nos últimos 100 anos, verificamos que esta é uma história de injustiça contínua em termos de direito internacional e direitos humanos. Homicídio e violência. Desde 1948, o mais tardar, os israelitas têm mais e melhores armas e não apenas o apoio financeiro dos judeus em todo o mundo. Assim, existe um desequilíbrio gritante de violência potencial em favor dos judeus. Até agora, os ataques a partir de Gaza têm sido mais simbólicos do que eficazes. Tubos cheios de propulsores dificilmente poderiam ser disparados mais de alguns quilómetros em território israelita, e quase sem alvo. Em troca, porém, Israel vingou-se de cada vez com a utilização de todo o seu arsenal de armas de alta tecnologia.

O sistema de defesa antimíssil israelita causa custos elevados

Considero particularmente pérfida a destruição de edifícios (residenciais), enquanto que a importação de cimento para reparação é proibida. Tal como a UE impôs, por analogia, o mesmo embargo à Síria. Se até agora se podia sorrir para os lançamentos de mísseis nas zonas fronteiriças israelitas, isso agora mudou. Eles voam até Telavive e até matam pessoas lá. Assim, o terror de ambos os lados atingiu uma nova dimensão. Não só isso. Estes ataques estão a custar caro a Israel. A chamada “Iron Dome” consiste em mísseis interceptores de última geração e é, por conseguinte, cara. Cada míssil interceptor custa muitas vezes mais do que os mísseis baratos de Gaza. Incluindo a dispendiosa tecnologia das plataformas de lançamento e as suas infra-estruturas. Além disso, já não é possível interceptá-los a todos quando são disparados às centenas ao mesmo tempo. Assim, o que se passa neste momento está realmente a prejudicar Israel. Financeira e directamente. É mesmo previsível neste momento que Telavive fique sem mísseis interceptores, que se esgotem. Então não haverá mais “Iron Dome”. Não admira, pois, que o governo israelita esteja quase desesperado para escalar a contra-violência como dissuasão e vingança.

Mas de quem é a culpa? A situação dos últimos 70 anos é tão confusa, rígida, que uma análise actual aqui não nos vai ajudar. Os ultras de ambos os lados não estão preparados para fazer a paz. Pode a tão apregoada “solução de dois estados” ajudar? Penso que não. Não é de modo algum compatível com a democracia ou os direitos humanos. Seria mais como um apartheid institucionalizado. Palestinianos e judeus teriam de ter um Estado comum no qual todos os cidadãos tivessem direitos de voto iguais. Isso já seria a favor dos judeus, uma vez que o seu número tem aumentado constantemente e superado o número dos palestinianos. Mas penso que mesmo estes últimos só ficariam felizes se pudessem finalmente viver um pouco “normalmente” e ter pelo menos alguma palavra a dizer sobre o assunto. Mas como se poderia alcançar uma paz duradoura?

Quem é responsável pelo ódio no Médio Oriente?

Numa grande campanha em ambos os lados, as pessoas devem ser levadas a compreender que todas elas se tornaram vítimas de uma estratégia pérfida e assassina vinda do exterior. Que o ódio um contra o outro não é natural, mas deliberadamente induzido. Considere que, ainda nos anos 30, um jornal árabe deu as boas-vindas aos judeus, chamando-os mesmo irmãos. Afinal de contas, ambos são semitas, se ignorarmos os cazares. Então, quando o culpado é nomeado, pode-se reconciliar, cair nos braços um do outro, e concentrar a raiva no culpado. Mas quem foi e quem é o culpado? E será que ainda hoje tem tanto poder para impedir que esta verdade cruel venha à luz, transformando assim o seu “colete branco” para sempre no mais profundo negro? Isto aplica-se, a propósito, a todo o Próximo e Médio Oriente, incluindo os iranianos, sauditas e curdos.

Um julgamento como o de Nuremberga em 1945 deveria ser instaurado para descobrir os crimes que foram cometidos nesta região e por quem. E quando finalmente for esclarecido com que motivação baixa e desumana se actuou, deve também ser negociado se não faria sentido redesenhar fronteiras. Fronteiras que foram traçadas pelo mesmo perpetrador e subsequentemente declaradas “imutáveis para sempre”. Fronteiras que, pela sua própria natureza, têm um potencial eterno de conflito. Fronteiras que durante 100 anos impediram de forma fiável a paz e a prosperidade de chegar a toda a região. Quem foi então que, com a sua pérfida estratégia, privou o Médio Oriente de qualquer possibilidade de um futuro de prosperidade pacífica durante os últimos 100 anos?

A fim de oferecer ao leitor uma oportunidade de formar o seu próprio juízo, uma opinião sobre isto, junto aqui um capítulo da minha obra “Inglaterra, os Alemães, os Judeus e o Século XX”. Chama-se “Israel”. Nele terá uma visão geral da história da Palestina e de Israel no século XX. E se não souber quem foi Hadji Amin al-Husseini e de que crimes é culpado, as seguintes linhas são quase uma leitura obrigatória.

16 Israel


“O bem nunca pode vir de mentiras e violência”

Mahatma Gandhi


Até 1917, havia paz entre árabes e judeus. Em todo o lado. Havia a chamada “Legislação Dhimmi” nos países islâmicos, que não se referia especificamente aos judeus, mas a todas as populações que não eram muçulmanas. A “Legislação Dhimmi” declarou que nos países que estavam sob a lei Shariah, só era concedido aos infiéis um direito de vida que podia ser revogado a qualquer momento, mediante o pagamento de um imposto anual. Sob pressão ou colonização europeia, a “Legislação Dhimmi” foi abolida no Império Otomano em meados do século XIX. Esta legislação foi também flexibilizada noutros estados árabes no século XX. Em todos os estados árabes havia grandes comunidades judaicas, que eram gentilmente consideradas como um trunfo para os países e que deram um contributo considerável para a sua prosperidade. Todos os judeus desta região eram sefarditas e foram por isso reconhecidos pelos árabes como irmãos semíticos. A Palestina foi uma pequena excepção a isto. Já no século XIX, os judeus ashkenazi fugiram para a Palestina para escapar aos pogroms e à discriminação nos países da Europa de Leste. Os judeus da Alemanha estavam bastante ausentes. Até 1917 houve uma coexistência pacífica com a população nativa.

Os problemas começaram quando os ingleses tomaram o poder sobre as terras árabes depois do Império Otomano ter sido esmagado. Foi durante este tempo que o sionismo, cujas raízes podem ser traçadas até ao início do segundo milénio, assumiu um novo significado. O sionismo era mais um sonho romântico e de forma nenhuma perseguia ideias imperialistas de qualquer tipo. Era o anseio de uma comunidade religiosa espalhada por todo o mundo por uma pátria comum. Os membros desta comunidade, que viviam assimilados e livres de hostilidade nos seus países, eram bastante cépticos em relação à ideia do sionismo. Mesmo Theodor Herzl não formulou nada de agressivo ou imperialista nas suas observações. Em Inglaterra, no final do século XIX, a ideia sionista foi promovida pela alta política e também influenciada na sua direcção.

A “Declaração de Balfour” de 2 de novembro de 1917 é a consequência lógica disto. Já com o nome enganador de “Declaração de Balfour” começa uma série de enganos e promessas quebradas por parte dos ingleses. O líder da “Declaração de Balfour” não era Lord Balfour, mas Lord Milner. Este senhor já é conhecido por nós como o czar da imprensa de Inglaterra, que era proprietário, entre outros, do “London Times”. Lord Milner era um grande amigo e irmão de Sir Cecil Rhodes e Lord Lionel Walter Rothschild. A Declaração de Balfour foi originalmente na forma de uma carta enviada por Balfour, secretário dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha, a Rothschild. Aqui está o conteúdo dessa carta:

Caro Senhor Rothschild,

Tenho muito prazer em poder transmitir-vos, em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia para com as aspirações sionistas judaicas, a qual foi submetida e aprovada pelo Gabinete:


O Governo de Sua Majestade considera a favor da criação de uma casa nacional para o povo judeu na Palestina e fará tudo o que estiver ao seu alcance para facilitar a consecução deste objectivo, sendo bem entendido que nada será feito que possa pôr em causa os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina ou os direitos e o estatuto político dos judeus noutros países. Ficaria grato se chamasse a atenção da Organização Sionista Mundial para esta declaração.

O seu dedicado Arthur Balfour


O tempo demonstrou que esta declaração não valia o papel em que foi escrita. A Inglaterra não aderiu a nada, mas mesmo nada, do que teria correspondido o significado da declaração. Começa com o facto de duas versões diferentes da mesma declaração terem sido enviadas aos sionistas e aos árabes. Além disso, foram dadas garantias verbais adicionais aos árabes diametralmente opostas ao que foi transmitido aos sionistas. Da perspectiva actual e considerando a situação actual, há um consenso generalizado entre os historiadores de que a partir de 1917 o mais tardar, o conflito árabe-judaico foi fomentado ou mesmo provocado pela Inglaterra. Até hoje, este conflito serve para desestabilizar a região árabe em favor dos objectivos geoestratégicos da Inglaterra. É esclarecedor e emocionante considerar o curso dos acontecimentos na Palestina, que infelizmente são ocultados da consciência histórica geral.

A Declaração de Balfour foi guiada pelos seguintes cálculos britânicos: Havia o objectivo político em tempo de guerra de conquistar as comunidades judaicas em todo o mundo para a causa Aliada, na qual os sionistas deviam depositar todas as suas esperanças. Geoestrategicamente, a Inglaterra quis estabelecer-se no papel de garante da casa nacional judaica mesmo para além do Canal de Suez. Uma Palestina aberta ao Ocidente deveria fornecer a ligação terrestre entre o Egipto britânico e uma futura Mesopotâmia britânica. Nenhum outro poder se interporia. Pretendia-se também rever o Acordo Sykes-Picot com a França e alcançar o controlo britânico exclusivo da Palestina. À opinião pública mundial, o domínio britânico sobre a Palestina deveria ser apresentado sob a forma de apoio ao direito à autodeterminação e à auto-realização de uma nação oprimida, nomeadamente a nação judaica.

Os representantes judeus dos sionistas, entre eles Chaim Weizmann, Nachum, Sokolow e Menachem Ussishkin, seguiram uma linha muito moderada. Pediram uma imigração moderada e o direito às suas próprias unidades administrativas e educacionais. Nessa altura, um Estado separado ainda não se encontrava entre as exigências dos sionistas. Isto só se tornou necessário muito mais tarde, depois de a situação se ter agravado para o intolerável. Os árabes eram basicamente amigos da imigração judaica. Isto só mudou depois de se saber que existiam diferentes versões da “Declaração de Balfour” e que a fraude planeada era óbvia. Até então, as negociações entre os sionistas e os árabes tinham sido amigáveis e caracterizadas pela compreensão mútua. Levaram ao chamado “Acordo Faisal-Weizmann”, que surgiu a 3 de janeiro de 1919. O rei Faisal I era o rei da Síria, cujo domínio nessa altura incluía a Palestina. Este acordo destinava-se a assegurar uma cooperação amigável e sem invejas entre árabes e judeus na Palestina e visava também a independência da Síria. A regra dos ingleses sobre a região deveria terminar com a ajuda dos judeus. O rei Faisal declarou num memorando:

“Os judeus estão muito próximos dos árabes em sangue e não há conflito de carácter entre os dois povos. Basicamente, existe um acordo absoluto entre nós”.

Numa carta ao Professor Felix Frankfurter, um eminente sionista americano, ele escreveu:

“Daremos um caloroso acolhimento aos judeus da pátria […]. O movimento judaico é nacional e não imperialista e há lugar na Síria para cada um de nós. Sim, sou da opinião que ninguém pode ser verdadeiramente bem sucedido sem o outro”.


No entanto, todos os acordos entre Faisal e os sionistas foram baseados na promessa dos britânicos de libertar a Síria para a independência. Esta promessa tinha sido feita aos sírios pela Inglaterra durante a guerra com o Império Otomano a fim de os mobilizar para si próprios e contra os otomanos. Na realidade, esta promessa não foi cumprida pelos ingleses, pelo que o Acordo Faisal-Weizmann nunca entrou em vigor. Por esta razão, presta-se muito pouca atenção a este acordo, embora, ou precisamente porque ele prova que, nessa altura, os interesses judeus e árabes não eram fundamentalmente hostis um ao outro.

No Verão de 1919 a duplicidade da Declaração de Balfour e a quebra da promessa inglesa de independência tinha-se tornado clara para os sírios, e estes mudaram fundamentalmente a sua atitude. Já não havia qualquer base de confiança, e os sírios a partir de agora recusaram qualquer outra imigração de judeus. A Inglaterra encabeçou tudo isto dando a Sir Herbert Samuel, um judeu, o cargo de alto comissário britânico para a Palestina em 1920. Samuel não fez nada de acordo com o seu mandato oficial, e há que assumir que agiu de acordo com o governo britânico porque não foi destituído do seu cargo. Agora poderia supor-se que Samuel, um judeu, teria tomado especial cuidado com os interesses dos judeus na Palestina. Mas não foi este o caso. Não fez a mínima coisa para suavizar as águas na Palestina. Pelo contrário, permitiu uma maior imigração de judeus contra a vontade da Síria, nem instruiu os seus funcionários para agirem de acordo com o espírito da Declaração de Balfour. Isto levou muito rapidamente, já em abril de 1920, aos primeiros pogroms em Jerusalém, que continuariam um ano mais tarde em Jaffa. Nem a polícia árabe nem o poder do mandato inglês intervieram para impedir os cidadãos de se matarem uns aos outros.

A Inglaterra produziu um “relatório de investigação” sobre os tumultos e posteriormente permitiu que os judeus transportassem armas. Assim, foi estabelecida a condição de que a partir de então judeus e árabes armados se enfrentassem uns aos outros. Sir Herbert Samuel, no entanto, estava longe de ter terminado com isto. Simultaneamente com o armamento dos judeus, a Inglaterra forneceu armas à Síria para apoiar uma rebelião contra a França. Os políticos ingleses tinham de saber que mais cedo ou mais tarde estas armas seriam utilizadas contra os judeus na Palestina. Para garantir que isso acontecesse, Samuel instalou o extremista totalmente inapto Hadji Amin al-Husseini como grande mufti de Jerusalém em 1921. Isto foi feito contra a oposição expressa do Alto Conselho Muçulmano, que considerava Husseini um vândalo e insuficientemente educado. Husseini não era um estranho para os ingleses e eles não podem afirmar ter agido de forma negligente. O seu conhecimento de quem Husseini era e do que ele fez só pode levar à conclusão de que eles agiram deliberadamente.

Husseini tinha sido preso pelos britânicos em 1920 e condenado a 15 anos de trabalhos forçados porque se tinha distinguido como anti-sionista e nacionalista árabe fanático durante os progroms anteriores. Contudo, apenas um ano mais tarde, os britânicos não só permitiram que Husseini fugisse, como até lhe permitiram regressar a Jerusalém. É notável no extremo que pouco depois Samuel nomeou este homem, que ainda estava sujeito à sentença inglesa de 15 anos de trabalhos forçados, como grande mufti de Jerusalém. Mais ainda, Husseini não era de modo algum qualificado para o cargo. Com apenas 26 anos de idade, era o mais jovem grande mufti de sempre, nem possuía a formação necessária para um cargo tão elevado. A única coisa que Husseini podia garantir era a sua abordagem fanática à população judaica. A este respeito, ele não decepcionou os ingleses.

Assim, já em 1922, os pogroms voltaram a ter lugar, reclamando mais de uma centena de vítimas. Husseini foi fundamental na sua organização e realização. Mais uma vez, foi elaborado um “Relatório de Inquérito” (Livro Branco) no qual a culpa pelos motins foi claramente atribuída aos árabes. No entanto, apenas os judeus foram aconselhados pelos ingleses a mostrarem um respeito especial pelos direitos e costumes religiosos dos árabes. Ao mesmo tempo, porém, os ingleses toleraram a formação da organização armada de protecção judaica Haganah, cujos fundadores tinham sido presos já em 1920. Em 1922, os Estados Unidos também declararam os seus interesses na região e, doravante, apoiaram a política da Inglaterra na Arábia. Este esforço conjunto para desestabilizar a região deu então frutos em 1926: Num acto de pirataria, a Inglaterra, a França e os Estados Unidos dividiram entre si a Companhia Petrolífera Iraquiana. A Inglaterra levou 52,5% e a França e os EUA, 21,25 % cada um. Os iraquianos mantiveram apenas 5%. Com que lei, para além da lei do mais forte, este acto pôde ser concertado, parece ainda completamente obscuro. Mas uma coisa é certa: num ambiente político estável, esta pilhagem não poderia ter tido lugar.

Em 1922, foi oficialmente concedido à Inglaterra o Mandato sobre a Palestina pela Liga das Nações. Isto significava que tudo o que acontecesse na Palestina estava sob a sua responsabilidade. Muita coisa aconteceu, mas pouca coisa foi boa. A Inglaterra encorajou os árabes a adoptarem uma atitude intransigente para com os judeus. Apoiaram os árabes não só com dinheiro e armas, mas também com propaganda e formação que encorajaram a formação de ideias árabes nacionalistas extremistas. Fizeram repetidamente promessas aos árabes relativamente à independência do seu país, não tendo cumprido nenhuma delas. O próprio Churchill distinguiu-se nisto, como se pode ler no seu “Livro Branco” de 1922. Nele afirma que “nunca deixará a Palestina tornar-se tão judia como a Inglaterra é inglesa”. Os sionistas judeus subordinaram-se a este objectivo. Os árabes, que já sabiam da falta de fiabilidade das promessas inglesas, não o fizeram. Portanto, não é de admirar que em 1929 os contínuos atritos menores entre judeus e árabes tenham novamente conduzido a uma grande revolta. Espalharam-se habilmente rumores de que os judeus queriam reclamar para si os lugares santos de Jerusalém, incitando os árabes a um pogrom no qual morreram várias centenas de pessoas. Os ingleses não fizeram nada para proteger os cidadãos, produziram outro “Livro Branco”, que mais uma vez não teve consequências.

Durante todo este tempo Husseini assassinou não só judeus, mas também árabes que ocupavam uma posição contrária aos seus interesses. O facto de ter agido em concertação com a Inglaterra ao fazê-lo é inquestionável. Afinal, os ingleses tinham o poder de retirar Husseini do cargo em qualquer altura, ou pelo menos de o chamar à ordem. A medida em que as intrigas inglesas foram contrárias aos interesses reais dos árabes é demonstrada por um artigo de 1930 no jornal árabe de Jerusalém “Al Inqdam”:

“Somos liderados por um grupo de homens que nos vendem e nos compram e vendem como uma manada de gado. O povo árabe ainda não pronunciou a sua última palavra sobre a questão judaico-árabe. Quando essa palavra tiver sido dita, não será de ódio, mas de paz e fraternidade, como convém a dois povos que vivem num só Estado”. Atenção, estas são as palavras de um jornalista árabe num jornal árabe!

Em 1930 e nos anos seguintes, não há tumultos anti-judaicos na Síria e nos outros estados árabes. Pelo contrário, os residentes da Síria e do Líbano solicitam à França que permita a imigração judaica para que o seu país possa prosperar. William Ziff, o famoso historiador americano, argumenta em 1938 que o conflito judaico-árabe não surgiu do ódio étnico ou religioso, mas foi iniciado pelos britânicos. Ele tem a opinião, como muitos outros, de que um Estado judaico-palestiniano poderia ter existido há muito se os ingleses não tivessem fomentado o conflito. Imagine o que teria significado a existência de tal estado para a salvação de centenas de milhares de judeus ameaçados de extermínio pela Alemanha de Hitler. Aqui é apropriado inserir algumas observações gerais sobre a política inglesa.

A política inglesa sempre foi guiada unicamente pelos objectivos imperiais do Império Britânico e nunca se sentiu vinculada pelas suas próprias promessas. Todo o mundo é meu. Vale a pena perguntar a um escocês ou a um irlandês sobre este assunto. A Inglaterra nunca se esquivou a utilizar piratas e outros elementos para promover os objectivos das suas políticas, nem de cometer ela própria tais actos. Consideremos Francis Drake, o pirata sanguinário das Caraíbas que mais tarde foi enobrecido como Sir Francis Drake. Uma e outra vez, as políticas inglesas conduziram à morte de um número incalculável de pessoas nos países do Império Britânico, seja através da violência ou da fome. Só na Índia, mais de 50 milhões de pessoas morreram durante várias fomes em 300 anos sob o domínio da Inglaterra.

Os arquivos das empresas comerciais, contudo, mostram que a exportação de produtos alimentares da Índia prosseguiu sem interrupção mesmo durante as fomes. Onde quer que os recursos minerais ou outras riquezas fossem descobertos, não demorou muito tempo para a Inglaterra assegurar o acesso, geralmente pela força das armas. Deixando de lado o facto de que o controlo dos poços de petróleo de Mosul foi uma consequência da guerra contra a Alemanha, o último exemplo disso foi a conquista do Estado Livre de Orange na África do Sul, onde a existência de vastos depósitos de ouro e diamantes tinham sido comprovados pouco antes. A Inglaterra sempre alterou as suas alianças tão rapidamente quanto a política actual o exigia.
No século XX, a situação geral tinha mudado um pouco. As novas tecnologias de comunicação permitiram o intercâmbio de informações em todo o mundo em minutos. Uma crescente imprensa mundial liberal informou o público mundial de forma crítica sobre o que está acontecendo na política. Isto aconteceu de forma oportuna e já não era possível manter os actos de conquista pirata fora das actuais críticas sob o pretexto do passado. A política imperial inglesa tinha agora de recorrer cada vez mais à intriga e ao engano para evitar ser marcada como o agressor pela opinião pública mundial. Este método foi dominado pelos ingleses. Tinham outra vantagem nisto: grandes secções da imprensa internacional eram controladas por eles. Assim, conseguiram repetidamente culpar os outros por crises e guerras que acabaram por servir apenas os seus próprios interesses. Só muito mais tarde, hoje por exemplo, é que é possível descobrir uma linha consistente na acção política inglesa.

Na Palestina, a Inglaterra provocou o conflito judeu-árabe ao fazer promessas aos árabes que ela não cumpriu. A Inglaterra instou os árabes a adoptar uma atitude intransigente em relação aos judeus, criando assim a situação que hoje devemos deplorar no Médio Oriente.

Este padrão também pode ser visto nos outros grandes conflitos do século XX. Antes do início da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra instou tanto a Sérvia como a Rússia a adoptarem uma atitude intransigente em relação à Alemanha. Ao fazê-lo, impediu qualquer desescalada e a guerra tornou-se inevitável. A mesma coisa aconteceu com a Polónia em 1939. Em vez de influenciar os responsáveis a respeitar os tratados e a procurar uma solução razoável, a Inglaterra apoiou a Polónia a provocar a Alemanha até que a guerra se tivesse tornado inevitável. Mais uma vez, a Inglaterra subsequentemente não cumpriu as suas promessas à Polónia.

A atitude da política inglesa em relação aos judeus ameaçados da Europa Oriental durante o período do Terceiro Reich só pode ser descrita como desastrosa. No mínimo, não fez nada que tivesse promovido o salvamento de pelo menos alguns deles. Em 1944, Heinrich Himmler ofereceu à Inglaterra negociações de paz. Esta oferta incluía, entre outras coisas, a promessa de permitir a saída de 100.000 judeus húngaros da Hungria para a Palestina em troca da entrega de 10.000 camiões. Esta promessa não foi condicionada ao sucesso das negociações de paz – no entanto, a Inglaterra recusou terminantemente. Nem sequer negociou para o resgate dos judeus húngaros. Penso que é legítimo dizer que, obviamente, para a Inglaterra em 1944, a vida de dez judeus não valia um camião. Ao mesmo tempo, a Inglaterra entregou camiões e outro material a Estaline, que agora também não era necessariamente conhecido por ser particularmente gentil com os judeus. Nesta perspectiva, é imaterial quem tinha produzido a condição, e como, o que tornou possível uma oferta tão indignamente absurda em primeiro lugar.

Aqui chegamos a um ponto excitante no decurso da “carreira” de Hadji Amin al-Husseini. Por volta de 1933, percebeu que não podia realizar os seus objectivos pessoais com os britânicos. Após mais de dez anos de cooperação com os ingleses, o conflito eclodiu finalmente depois de Husseini ter estendido os seus assassinatos ao pessoal inglês. Teve de fugir em 1937 e, a partir daí, procurou um contacto próximo com a Alemanha, para quem se tornou agente em 1938. É apenas lógico que Husseini, um odiador de judeus, encontrou um amigo imediato em Hitler. Com o seu apoio, Husseini continuou agora as suas actividades contra os judeus em todo o Médio Oriente. Em Bagdade organizou a revolta anti-inglesa de 2 de abril de 1941, que foi derrubada pelos britânicos. No entanto, com a sua ajuda, deu-se o primeiro pogrom nos países árabes fora da Palestina. 180 pessoas foram assassinadas, cerca de 1000 feridas; 586 lojas saqueadas e devastadas. Os britânicos, como poder do Mandato, não intervieram e deixaram que isso acontecesse de forma passiva.

Husseini goza da liberdade de vaguear pelas terras da Arábia espalhando o ódio aos judeus. Ele viaja a Berlim e volta e faz as maldades com a ajuda alemã. O porquê de os ingleses nunca terem conseguido apanhá-lo é absolutamente inexplicável. Não creio que seja rebuscado especular que os ingleses estivessem de acordo com os seus feitos. Afinal de contas, ele só continuava o que já tinha começado na Palestina, sob a supervisão da Inglaterra. Husseini viveu o fim da Segunda Guerra Mundial na Suíça, que depois o deportou para França. A França recusou-se a extraditá-lo para a Jugoslávia porque ele era procurado lá como criminoso de guerra. Os aliados não submeteram Husseini a julgamento, mas permitiram-lhe partir livremente para o Egipto, onde foi recebido como um “herói nacional”. A partir daí ele continua a organizar a sua luta contra os judeus. Quando o rei jordano Abdullah reassumiu o cargo de grande mufti de Jerusalém em 1951, Husseini, que até então ainda detinha este cargo, mandou assassinar o seu sucessor. A Jordânia não permite que Husseini regresse a Jerusalém porque lá não é desejável, como rebelde e agitador. Na década de 1950, Husseini é aclamado em Gaza e torna-se mentor de Yasser Arafat. Em 1974, Husseini morre de causas naturais no exílio no Egipto.

A vida de Husseini mostra claramente que a política da Inglaterra e dos Aliados não era a de fazer a paz e impedir o assassínio. Os objectivos geoestratégicos eram o bem maior. Tal como noutros locais no século XX, os britânicos tinham em seu poder dirigir as fortunas na Palestina como julgavam conveniente. Tudo o que tinham de fazer era cumprir o seu próprio julgamento e deixar Husseini servir os seus 15 anos de trabalho árduo. Ou, o mais tardar em 1945, quando definitivamente o tivessem apanhado, teriam de o condenar novamente e prendê-lo. Em circunstância alguma deveriam eles ter libertado o fanático odiador de judeus de volta ao mundo árabe. Ele teria merecido um lugar de honra no banco dos réus nos julgamentos de Nuremberga. Isso teria sido um sinal claro de que um conflito judaico-árabe não era desejado. Na verdade, porém, isto não se adequava aos objectivos da Inglaterra.

A Inglaterra tinha grande medo de um império judaico-árabe no Médio Oriente, cuja probabilidade era um dado adquirido por volta de 1917 e de forma alguma rebuscada. A Arábia Saudita era o modelo para isto e era assustadoramente jovem. Se olhar para um atlas de 1900, notará que a Península Arábica não apresenta fronteiras definidas. Vai até à Turquia. Toda a Península Arábica fazia parte do Império Otomano, incluindo a Palestina. A leste, estava o Império Persa e a oeste juntou-se o Egipto. É isso mesmo. Na costa leste, havia alguns pequenos emirados como o Kuwait, Bahrain, Doha, Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Fujairah e Omã, mas não tinham fronteiras definidas. Ao sul estava a área indefinida de povoamento do Iémen. Como a Península Arábica é quase toda deserta, não havia simplesmente necessidade de definir limites para os poucos habitantes. O deserto separou-os de forma credível.

Em 1902, um príncipe beduíno chamado Ibn Saud decidiu conquistar um império para si próprio. Fê-lo consciente de um mandato divino, pois era um wahabita devoto e queria colocar os locais sagrados de Meca e Medina sob o controlo do wahabismo crente e puro. Os turcos também eram muçulmanos, mas a sua fé era depravada e corrompida aos seus olhos. Pelos padrões de hoje, Ibn Saud era um fundamentalista islâmico. Ibn Saud prosseguiu uma hábil política de violência e diplomacia, com predominância desta última. Vagueou pelo país com os seus homens, forjando alianças e casando com centenas de mulheres entre as tribos que visitou. Isto pode parecer um pouco estranho, mas na realidade ocorreu dessa forma. Funcionou desta forma: Como wahabita devoto, Ibn Saud só foi autorizado a ter quatro esposas de cada vez. Por isso, deserdava sempre uma antes de passar a cimentar novas alianças, casando-se com outra. Quando ele seguia em frente, renegaria novamente à sua esposa. Isto não foi de modo algum uma afronta, nem para a própria mulher nem para a tribo. Muito pelo contrário, pois no mundo islâmico a ligação de uma mulher com um dignitário tornou-a mais desejável para todos os homens. Desta forma, Ibn Saud teve 263 filhos reconhecidos. As filhas não foram contadas.

Os otomanos não gostaram nada das actividades de Ibn Saud e tentaram pôr-lhe um fim, mas não tiveram êxito. Tinham cometido o erro de basear o controlo da Arábia inteiramente na rota marítima, enquanto as guarnições foram reduzidas ao mínimo ou não tinham qualquer tipo de tripulação. Isto tornou impossível reagir rapidamente aos movimentos da força de Ibn Saud. Os actos de guerra no deserto foram, de qualquer forma, completamente absurdos pelos nossos padrões. Em primeiro lugar, ocorreram apenas nos meses de Inverno, porque no Verão estava demasiado calor e as pessoas preferiam descansar em uádis muitas vezes directamente adjacentes. De vez em quando surgiram contactos amigáveis e úteis, porque a lei do deserto exige de todos que dêem ajuda para a sobrevivência, se for possível. Com o Outono estavam novamente em guerra uns com os outros. Mas isto foi sem sangue e a competição foi mais limitada à descoberta de quem poderia rugir mais fortemente.

Ibn Saudita aumentou constantemente a sua esfera de influência. No entanto, em última análise, ele teria falhado se não fosse a Primeira Guerra Mundial. Pois os otomanos tinham começado a abrir a Península Arábica com os caminhos-de-ferro. O caminho-de-ferro para Meca e Medina já tinha sido concluído em 1906 com ajuda alemã, e o caminho-de-ferro de Bagdade estava a fazer rápidos progressos. Com estes modernos meios de transporte, teria sido possível aos otomanos deslocar tropas e abastecimentos em grande quantidade e rapidez. Não havia nada que Ibn Saud pudesse ter feito para se opor a isto. Mas não se chegou a isso. Com o esmagamento do Império Otomano pelos britânicos, nada se interpôs no caminho de Ibn Saud. Ninguém poderia impedi-lo de estabelecer o seu império até 1920, que conhecemos hoje como Arábia Saudita. Gostaria de mencionar uma suculenta nota de rodapé da história: Ibn Saud foi quase derrotado pelos turcos – não com armas, mas com bactérias intestinais. Os turcos transportavam no seu corpo flora intestinal invulgar para os árabes. Devido à falta de higiene, foi transmitido às tropas de Ibn Saud em batalha e baixou-as durante dias e semanas. Não se regista se os turcos não tiraram partido disto por cavalheirismo ou estupidez. O facto é que: Ibn Saud foi apoiado desde o início pela Inglaterra com fundos e armas para desestabilizar o Império Otomano.

O exemplo da Arábia Saudita em 1917 provou que a formação de um império independente desde a Pérsia até ao Mediterrâneo não era uma ideia utópica, mas uma séria probabilidade. O vácuo criado pelo fim do Império Otomano praticamente o exigiu. Este império teria tido grandes riquezas à sua disposição e ter-se-ia tornado um factor de poder de primeira ordem não só na região, mas globalmente. Teria controlado as maiores reservas de petróleo conhecidas e as terras férteis da Mesopotâmia e do Mediterrâneo teriam proporcionado um abundante fornecimento de alimentos para a população. Para que tudo isto tivesse funcionado, a imigração de judeus europeus teria sido virtualmente necessária. Teriam trazido os seus conhecimentos e competências modernas ao jovem império, ajudando a região medieval a dar um salto independente para a modernidade. Com esta consideração, torna-se claro o que o rei Faisal da Síria quis dizer quando falou da parceria amigável com os judeus e os acolheu. Os governantes árabes não eram de modo algum pessoas sem instrução e tinham estudado não só em Istambul mas também em muitas outras universidades na Europa, especialmente em Londres. Assim, não se deve de forma alguma presumir que tais pensamentos e planos estariam fora do alcance da capacidade intelectual dos árabes. Além disso, o movimento sionista tinha mentes inteligentes moderadas suficientes, cuja visão certamente não impedia tal desenvolvimento. A experiência secular dos judeus na convivência com outros povos teria tornado mais fácil encontrar um modus operandi para unir judeus e árabes num estado comum sem fricção. Afinal, eles têm locais santos comuns, e o Islão reconhece o Antigo Testamento como fundamental.

Agora há que olhar para o assunto do ponto de vista da Inglaterra. Um tal império judaico-árabe teria sido o maior acidente possível para o Império Britânico. Não só aos governantes da ilha no Atlântico Norte teria sido negado o controlo dos campos petrolíferos que tinham acabado de roubar aos alemães. Nem a rota através do Canal de Suez para as suas colónias em redor do Pacífico teria sido assegurada. Para além dos campos petrolíferos iraquianos e kuwaitianos, nenhum outro tinha sido descoberto na região árabe nessa altura. A perda de controlo sobre este bem estratégico vital não devia ser permitida. Acrescente-se a isto o receio dos britânicos de que os judeus desempenhariam um papel de liderança num tal Estado. Então poderia muito bem ter acontecido que os judeus se lembrassem do tratamento pouco amigável que lhes foi dado em Inglaterra durante séculos. Um império árabe judeu independente não poderia ter sido tratado da mesma forma que os pequenos príncipes árabes mais ou menos corruptos.

Em tudo isto, não se deve esquecer o caminho-de-ferro de Bagdade, que já tinha sido uma das principais causas do início da Primeira Guerra Mundial. Quando totalmente concluído, este caminho-de-ferro teria ligado o Império Árabe a Berlim. O transporte directo de petróleo de Mosul para a Alemanha teria assim sido possível por uma rota natural e superior, que não estaria aberta ao ataque de qualquer potência naval. Inversamente, o fornecimento do Império Árabe com bens industriais da Alemanha teria sido directamente possível. Assim, uma aliança germano-árabe-judaica teria sido o mais provável de todos os desenvolvimentos possíveis. Um grande império judaico-árabe poderia também ter induzido os judeus alemães a emigrar para lá, a fim de poderem participar na enorme ascensão e, ao mesmo tempo, desfrutar do sentimento de uma pátria própria. Isto teria deixado a Inglaterra exactamente na mesma situação definida como “intolerável” como era antes da Primeira Guerra Mundial. Isto tinha de ser evitado por todos os meios necessários. Mais uma vez os judeus estavam a ser abusados para os objectivos de outras nações e estavam a sofrer horrivelmente como resultado. A paz e a amizade entre judeus e árabes foi deliberadamente destruída pela Inglaterra, apenas por causa dos seus objectivos geoestratégicos. Foram tão bem sucedidos que hoje parece impossível alcançar a paz, ou mesmo uma melhor amizade, entre judeus e árabes. O terror, a carnificina e a morte, o medo e o ódio – tudo o que hoje ouvimos e vemos quase diariamente de Israel é um resultado directo das políticas inglesas pós-Segunda Guerra Mundial.

As hipóteses de coexistência bem sucedida num império judaico-pan-árabe não eram de modo algum um sonho impossível, mas o mais provável desenvolvimento possível no início do século XX. Só uma influência estrangeira maciça poderia impedi-la.

É neste sentido que se deve avaliar a política da Inglaterra na Palestina e na Arábia. Só desta forma é que o que, de outro modo, muitas vezes deve permanecer incompreensível, se torna conclusivo; só desta forma é que a recusa da Inglaterra em permitir que os judeus que iam ser expulsos por Hitler entrem na Palestina se torna compreensível. Aqui cheguei a outro ponto delicado.

O Terceiro Reich não falou sobre a “Solução Final”, o assassinato planeado dos judeus, desde o início. Pelo contrário, deveriam ser expulsos da Alemanha. Mas o problema era que nenhum país concordou em acolher os judeus que tinham sido reunidos pelos capangas de Hitler de forma hedionda e desumana. Foi-lhes também negada a passagem para a Palestina pelos britânicos. Mesmo em 1944, quando as atrocidades devem agora ter sido realmente conhecidas dos Aliados, os ingleses não só não apoiaram a partida de 100.000 judeus da Hungria, como também a proibiram activamente. Aqui, no mínimo foram culpados de não terem prestado assistência.

Imagine novamente o que a existência de um estado judaico-árabe teria significado para a salvação dos judeus que foram ameaçados pela máquina assassina de Hitler. Tal estado teria tido o poder de exercer uma influência moderadora sobre Hitler. Como paralelismo com o odiador de judeus Husseini, que foi apoiado pela Inglaterra nas suas actividades, já se deve ver que também a assunção do poder de Hitler, que também foi designado como odiador de judeus, só foi possível através do apoio maciço com a capital anglo-americano.

Relativamente à proibição da imigração de judeus para a Palestina, os britânicos gostariam de se justificar com o argumento de que a situação política na Palestina não teria permitido uma maior imigração. Isto ignora completamente o facto de terem sido os próprios ingleses a criar esta situação. Novos desenvolvimentos na Palestina tornaram inevitável que os judeus tivessem de assumir o comando. Isto levou ao estabelecimento forçado do Estado de Israel, que foi proclamado em 14 de maio de 1948. No ano anterior, tinham ocorrido violentos pogroms na Síria e noutros lugares, causando muitas mortes entre os judeus. Agora, finalmente, tinha de ser oferecido um porto de abrigo razoavelmente seguro aos judeus perseguidos. Mas isto finalmente cimentou a fenda entre judeus e árabes. Curiosamente, os fundadores do Estado de Israel cumpriram em grande parte todas as decisões e directivas das Nações Unidas e da Inglaterra. Só a forma geográfica de Israel é uma piada de mau gosto. A fragmentação em áreas árabes e judaicas faz troça de toda a lógica, mas está de acordo com as especificações da Inglaterra e da ONU. E como um toque de coroação a capital dividida de Jerusalém. Tudo isto só pode ser um forno para conflitos pelo tempo e pela eternidade. As últimas tentativas de correcção, por exemplo após a Guerra dos Seis Dias, não foram aprovadas pelas Nações Unidas, embora tivessem feito sentido.

Mas agora a outro aspecto. O 14 de maio de 1948 é na realidade uma data ashkenazi. Nessa altura, a população judaica era superior a 90 por cento de ashkenazis. Pode-se filosofar um pouco sobre isto. É absurdo que os judeus ashkenazi falem de um direito de nascença na Palestina, pois nunca no seu passado os seus antepassados viveram naquela terra. Neste contexto, é digno de notar que os árabes acolheram no entanto os imigrantes como seus irmãos até 1920. Em última análise, quando alguém invoca um direito de nascimento que existiu há 2000 anos atrás, não importa se alguma vez teve antepassados nessa área. Pessoalmente, rejeito a noção de direito de nascimento para a imigração para Israel. Especialmente quando os alemães deslocados, que ainda viviam na sua terra natal, não recebem esse direito. Contudo, exijo um direito de todas as pessoas a um lugar que lhes possa oferecer liberdade de perseguição e uma vida entre os companheiros crentes.

Em 1948, Israel tinha-se tornado o inimigo definido de todos os países árabes. Isto foi imediatamente evidente quando, no mesmo dia após a proclamação, todos os Estados vizinhos declararam guerra a Israel. Mas isto também afectou as condições de vida dos judeus (sefarditas) nos países árabes. A coexistência pacífica tinha acabado. Assim, a partir de 1948, a massa de imigrantes veio de países árabes e era mais uma fuga do que uma emigração regulamentada. Até 1980, a relação numérica entre ashkenazim e sephardim em Israel era mais ou menos equilibrada. A relação social entre eles foi marcada por tensões desde o início. Os sefarditas entraram em conflito com os ashkenazim modernos, que ocupavam as posições de liderança na política, nos negócios e nas forças armadas e olharam com alguma condescendência para os sefarditas à moda antiga. A partir de 1967, isto melhorou um pouco depois de ambos os grupos se terem mostrado unidos na batalha contra o inimigo. Mas até hoje continua a ser o caso que o casamento entre ashkenazim e sephardim é a excepção, sendo a taxa inferior a 20 por cento.

Existem outros subgrupos de judeus de várias origens em Israel. No entanto, devido ao seu pequeno número, estes não desempenham um papel particularmente conspícuo. Desde cerca de 1990, os judeus da ex-URSS imigraram em grande número. Representam agora cerca de 20% da população de Israel e têm uma influência considerável sobre o aspecto actual do país. Por exemplo, a língua russa e o roteiro aparecem nos menus dos restaurantes da praia em Telavive em pé de igualdade com o hebraico e o inglês. Nos táxis, as pessoas têm muitas vezes mais facilidade em falar russo do que inglês. Estes imigrantes da Rússia não estão largamente familiarizados com a religião judaica, e resta saber quantos deles permanecerão e que impacto terão no desenvolvimento social de Israel.

Desde 1948, Israel tem vivido em guerra com os seus vizinhos árabes. Israel construiu uma força militar que até agora se tem mostrado superior e que pode garantir a sobrevivência do país. Neste contexto, as pessoas gostam de apontar a orientação bélica do Estado de Israel, e também gostam de esquecer que os seus vizinhos também têm um enorme potencial de armamento. A origem destas armas é o verdadeiro escândalo. Como no início, ou seja, a partir de 1920, os britânicos e americanos forneceram armas aos estados árabes – e continuam a fazê-lo até hoje. De 1950 a 1990, a URSS esteve também envolvida no armamento dos Estados árabes; desde a queda do império soviético, os EUA e a Inglaterra têm assumido quase exclusivamente a responsabilidade pelo armamento da região. O seu comportamento contradiz todas as resoluções da ONU e os protestos de solidariedade para com Israel.

Infelizmente, a República Federal da Alemanha também forneceu armas para o Médio Oriente. A Israel em qualquer caso, porque a Alemanha, devido ao seu passado nazi, comprometeu-se a estar sempre ao lado de Israel e com todos os meios. A entrega de tanques Leopard na Arábia Saudita foi provavelmente feita sob a premissa de que “o dinheiro governa o mundo” e com a consideração: Se produzimos o melhor equipamento, então também o queremos vender – antes que outros o façam! Abster-me-ei de uma avaliação moral nesta altura. Só isto: a Alemanha está a nadar na esteira da política anglo-americana e deve – se já for politicamente castrada – pelo menos provar a sua eficiência no campo económico – também no sector da indústria do armamento.

Mais uma vez temos de testemunhar que os inimigos declarados de Israel estão a ser promovidos e armados – exemplificados pela Arábia Saudita e pelo Iraque. O armamento de Saddam Hussein foi um dos piores crimes cometidos pelos EUA. Primeiro armaram o Iraque, depois encorajaram acções bélicas, e finalmente bombardearam-no para o caos. Já há tanta literatura sobre isto que não preciso de entrar aqui. Mas a consequência desta política de armamento é que sempre que os árabes recebem armas, Israel deve seguir o mesmo caminho, pelo menos na mesma medida. O ano de 2007 mostra com toda a clareza a perversão do processo: os EUA forneceram à Arábia Saudita e a Israel contratos de fornecimento de sistemas de armamento numa base de paridade. Quem é suposto beneficiar disto, excepto a indústria de armamento americana? Em todas estas considerações, deve entender-se que nenhum país árabe é capaz de produzir independentemente armas que possam impressionar ou mesmo ameaçar um estado hostil. Isto não irá mudar num futuro previsível.

O velho padrão está a repetir-se. Os estados são habilitados e encorajados pelo capital anglo-americano a adoptar posições intransigentes. Isto assegura um ponto de inflamação perpétuo. Não é de todo sonhador pensar em como seria o desenvolvimento sem o fornecimento de armas modernas ao Médio Oriente. Quando a opção de guerra não está disponível, é preciso sentar-se e procurar uma solução pacífica. Se alguém já experimentou, e eu próprio tive o privilégio de experimentar isto, o que até a posse de uma simples adaga faz ao ego de um árabe, pode-se imaginar o que faz a posse de um avião de combate moderno. Qualquer compromisso razoável é doravante impossibilitado pelo ego do árabe, que fica assim ensoberbecido. Esta realização não é, de forma alguma, um produto da minha imaginação. É a verdade, e todos os que fornecem armas para o Médio Oriente sabem-no. É óbvio para mim que a paz abrangente no Médio Oriente continua a ser indesejável.

Muitas vezes uma conspiração sionista é culpada por estes eventos. Se examinarmos mais de perto, isto carece de qualquer lógica ou base. É verdade que nomes de políticos, banqueiros e industriais judeus aparecem repetidamente neste contexto, mas raramente estão na linha da frente das decisões. Por outro lado, o Estado beligerante de Israel não é certamente propício à imagem do país e do movimento sionista. Fornece continuamente argumentos que promovem a condenação de Israel para aqueles que apenas procuram tais argumentos. Não pode de qualquer forma ser lógico, porque o que levaria um Estado a desperdiçar uma grande parte do seu produto nacional bruto no seu exército, a menos que tenha planos imperiais? Além disso, asseguraria então que os seus vizinhos não tivessem armas que impediriam estes planos. Neste sentido, penso que podemos descartar Israel e quaisquer sionistas como a força motriz por detrás do rearmamento do Médio Oriente. Tal como eu excluo os objectivos imperiais de Israel. Israel e os seus vizinhos continuam a ser as vítimas das políticas anglo-americanas e dos seus objectivos geoestratégicos.

A situação actual no Médio Oriente é que existem simplesmente demasiadas armas à solta naquela região, como infelizmente existem em muitas outras regiões do mundo. A parte de leão destas armas provém da produção anglo-americana. Assim, a responsabilidade por todos estes conflitos que culminam na utilização destas armas recai directamente sobre os fabricantes e fornecedores, que são dominados pelo capital anglo-americano.

A situação é confusa. No entanto, pode-se especular um pouco sobre como uma mudança na política pode afectar o curso dos acontecimentos. Suponha-se que todos os fornecimentos de armas aos países que não podem produzir eles próprios armas foram interrompidos, e as peças sobressalentes e munições foram também interrompidas. Em pouco tempo, os exércitos destes países não seriam mais do que infantaria desdentada. Os países “desenvolvidos, civilizados” deste mundo têm nas suas mãos a tarefa de fazer com que este estado de coisas aconteça e salvar milhões de pessoas da morte e destruição. A guerra deixaria de ser uma opção e milhões de soldados poderiam ser postos a trabalhar de forma produtiva. As pessoas teriam de chegar a um entendimento em vez de se matarem umas às outras. A paz no Médio Oriente seria imparável. Muito bem, muitas pessoas já sonharam este sonho. Mas isso não é razão para simplesmente desistir.

Resumindo: O sonho sionista, e com ele o povo judeu, tem sido abusado pela Inglaterra para os seus objectivos geoestratégicos. A Inglaterra não teve em conta as vidas e o bem-estar dos judeus e árabes neste processo. Os EUA participaram desde cedo no trabalho ao lado da Inglaterra para desestabilizar o Médio Oriente. Todas as decisões que afectam judeus e árabes foram tomadas em desafio ao direito dos povos à autodeterminação. Isto contradizia todas as promessas feitas pelos ingleses e pelos EUA perante o mundo inteiro. Até 1948, os ingleses foram os únicos responsáveis por tudo o que aconteceu na Palestina. A partir daí, é difícil distinguir se os EUA ou a Inglaterra estavam no comando – a cena da cauda e do cão. Contudo, em 1948 a relação judaico-árabe já estava tão envenenada que é evidente que só a Inglaterra deve ser responsabilizada pelo conflito judaico-árabe.

A escalada deste conflito tornou inevitável o estabelecimento do Estado de Israel e, portanto, nada do que tinha sido formulado pela Inglaterra na Declaração de Balfour foi alcançado. Acima de tudo, o objectivo de não afectar as condições de vida dos judeus noutros países foi transformado no seu oposto. A existência do Estado de Israel garante um conflito contínuo no Médio Oriente, pelo qual “os judeus” podem sempre ser responsabilizados. A política da Inglaterra é culpada pelo facto de a amizade entre judeus e árabes em todos os países árabes se ter transformado num ódio irreconciliável. Isto continua no conflito entre o Islão e o mundo ocidental.

Prevenir a emergência de um Estado pan-árabe está em consonância com os objectivos geoestratégicos da Inglaterra e até hoje serve as reivindicações imperiais da ilha, de resto isolada e, cada vez mais desde os anos 50 e a Guerra da Coreia, dos Estados Unidos. Muitas, demasiadas pessoas perderam e continuarão a perder as suas vidas devido a isso. O foco da historiografia geral do século XX nos crimes da Alemanha torna possível esconder os crimes da política anglo-americana da atenção do público mundial. Aqui, e não apenas aqui, judeus e alemães têm um interesse comum em superar a unilateralidade da historiografia. Os judeus, em particular, merecem que lhes seja retirada a atribuição de culpa exclusiva pelo conflito com os árabes.

Para ilustrar o que a política inglesa tem realmente feito também no Mediterrâneo, dever-se-ia olhar de novo para o Chipre. O Chipre viveu em paz como parte do Império Otomano até 1914. As populações grega e turca não tinham problemas entre si, os muçulmanos e os cristãos ortodoxos gregos respeitavam-se mutuamente em coexistência pacífica. Depois vieram os britânicos. Ocuparam o Chipre em 1914 para terem uma base militar no Mediterrâneo Oriental. Os pedidos dos cipriotas aos ingleses para desocupar as suas terras foram ignorados e as condições de vida na ilha deterioraram-se drasticamente com a ocupação britânica. A outrora boa situação de abastecimento da população foi substituída pela fome e pela miséria, mas isto ainda não levou a tensões entre gregos e turcos. Apenas a promoção unilateral dos interesses da parte grega da população por parte dos ingleses, deixe surgir animosidades.

No entanto, havia ainda uma comunhão de interesses entre os cipriotas. Isto foi evidente nas acções contra os ocupantes ingleses, que culminaram numa revolta aberta em 1931, durante a qual a casa do governador inglês se incendiou. No entanto, a partir de 1923, os ingleses conseguiram agitar a inimizade entre gregos e turcos, o que acabou por levar à divisão do país, embora isto ainda fosse contra a vontade declarada dos cipriotas. Gradualmente, os britânicos conseguiram desviar a raiva da sua ocupação para o que se tinha tornado um verdadeiro conflito interno entre gregos e turcos. Este conflito continua a preocupar o mundo até aos dias de hoje e parece difícil de resolver.

Entretanto, foi necessário estacionar soldados da ONU no Chipre, a fim de aliviar alguma da calamidade causada pelas políticas da Inglaterra. Paralelos podem ser encontrados na Palestina.

Em 1960, a Inglaterra libertou o Chipre do estatuto colonial, mas manteve ainda alguns enclaves, deixando o outrora saudável Chipre num estado caótico. Muitas pessoas conheceram as suas mortes, e o ódio e a vingança tornaram-se os companheiros de vida dos outrora pacíficos cipriotas. A atenção do mundo pôs o Chipre de lado. Talvez porque outros conflitos vieram à tona, ou talvez porque não houvesse lá petróleo. Seja qual for o caso, creio que é necessário recordar as políticas criminosas da Inglaterra que causaram os conflitos no Mediterrâneo Oriental. (Adenda à terceira edição: entretanto foram provados consideráveis depósitos de gás em Chipre e – quem fica surpreendido – quase ao mesmo tempo Chipre foi atingido por uma crise financeira que quase resultou na sua exclusão do Euro).

O paralelismo entre o Chipre e a Palestina revela uma metodologia que prossegue sem consideração pela vida humana. Também no Chipre, o direito de autodeterminação dos povos foi espezinhado. Se quiser saber mais sobre as estratégias pérfidas do Império Britânico, especialmente sobre as suas relações com o Império Alemão, leia a obra “Inglaterra, os Alemães, os Judeus e o Século XX”. Está disponível em livrarias ou para encomendar directamente à editora aqui. Mas cuidado, talvez tenha de dizer adeus aos padrões de pensamento habituais.

Fonte: Anderwelt

As ideias expressas no presente artigo / comentário / entrevista refletem as visões do/s seu/s autor/es, não correspondem necessariamente à linha editorial da GeoPol

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