O gasoduto TurkStream entre a o Rússia e a Turquia vai substituir o Nord Stream 1 e 2 com a Alemanha

Alfredo Jalife-Rahme

Analista geopolítico, autor e docente


Há dez anos, a Rússia iniciou a construção do gasoduto South Stream, parado em 2014 devido a sanções da UE, e substituído pelo TurkStream que hoje transporta 32 mil milhões de metros cúbicos por ano


Após a sabotagem (bit.ly/3CZ3uv4) dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, o neo-sultão Recep Tayyip Erdogan está a tentar posicionar a Turquia como o maior eixo da Europa através da sua conectividade de gás do Mar Negro com a Rússia.

Recep Tayyip Erdogan – apesar de ser um bizarro membro da NATO, ainda não foi admitido na União Europeia (UE) dos 27 – está satisfeito pela Europa estar agora a pensar em como assegurar o seu fornecimento de gás no próximo período de Inverno, enquanto que a Turquia, graças a Alá, não tem esse problema.

O sultão Recep Tayyip Erdogan explicou que no seu encontro com Putin “concordaram em criar um centro de gás na Turquia: a Europa pode utilizar gás russo (mega-sic!) através da Turquia” (bit.ly/3W2QnSy).

Putin ideou transformar a Turquia num hub de gás num fórum russo de energia (bit.ly/3TskkJM), onde indicou que o sistema Nord Stream pode ser reparado desde que a sua segurança futura seja garantida: a bola está agora do lado da UE.

Há dez anos, a Rússia iniciou a construção do gasoduto South Stream, parado em 2014 devido a sanções da UE, e substituído pelo TurkStream – metade do qual estava previsto para o South Stream – que hoje transporta 32 mil milhões de metros cúbicos por ano.

O boicote ao South Stream foi um duro golpe para a Rússia e, oito anos mais tarde, provou ser um golpe auto-infligido pela UE-27.

Alexey Miller, de 60 anos de idade, membro do famoso grupo político de São Petersburgo, agora chefe da empresa estatal russa de gás Gazprom – o maior fornecedor público de energia do mundo – explicou que não demora muito tempo a estudar o TurkStream, uma vez que a “documentação técnica (bit.ly/3eV8t8d)” tem estado disponível desde o cancelamento do South Stream.

O anúncio espectacular de Putin de transformar a Turquia num centro de gás (hbit.ly/3F7vlMq), foi realizado em Astana (capital do Cazaquistão), onde o fórum da Sexta Conferência sobre Medidas de Interacção e Construção de Confiança na Ásia (CICA), em hibernação após 30 anos, reuniu 14 países (sic): o anfitrião Cazaquistão com os seus três vizinhos da Ásia Central: Tajiquistão, Uzbequistão e Quirguistão; dois países eslavos: Rússia e Bielorrússia; seis da Ásia Ocidental: Azerbaijão, Turquia (mega-sic!), Iraque, Irão, Qatar e Palestina (sic), assim como Vietname e China (mega-sic!).

O geopolítico brasileiro Pepe Escobar – que conhece os meandros da Ásia Central como poucos outros – aborda o conceito do presidente iraniano Ebrahim Raisi sobre a Nova Ásia. No Fórum da CICA (bit.ly/3Do0fPx), prestes a tornar-se uma organização de pleno direito, Putin exigiu uma compensação pelos danos causados ao povo afegão durante os anos de ocupação, ao mesmo tempo que salientava que, na Ásia, os novos centros de poder (sic) estão a fortalecer-se, desempenhando um papel importante na transição (sic) para uma ordem mundial multipolar (mega-sic!), mas não antes de avisar que a nova Ásia não será a única na região capaz de desempenhar um papel importante na transição para uma ordem mundial multipolar (mega-sic!), mas não antes de advertir que existe uma ameaça real de fome e choques em larga escala devido à volatilidade dos preços da energia e dos alimentos no mundo, e apelar ao enterro do sistema financeiro que beneficia a plutocracia globalista que vive à custa dos outros.

Pepe Escobar argumenta sobre o papel transcendental do naipe islâmico – Irão, Paquistão, Turquia (sic), Arábia Saudita, Egipto e Qatar – que move a concertação da Rússia e da China na Eurásia com o seu impulso para incorporar as terras do Islão como parceiros estratégicos essenciais (mega-sic!) para forjar a ordem mundial multipolar quando o eixo anglo-saxónico está totalmente petrificado.

O Islão, com os seus 57 países (bit.ly/3TJBzGu), tem quase 2 mil milhões de seguidores: um quarto da população mundial!

Sheikh Mohammed bin Zayed, presidente dos Emirados Árabes Unidos, que acaba de visitar Putin no lendário Palácio Konstantinovsky em São Petersburgo (bit.ly/3gA7xGZ), é o melhor praticante da transição para uma nova ordem mundial multipolar e a sua Nova Ásia, onde a ordem do gás é um dos principais pilares.


Peça traduzida do espanhol para GeoPol desde La Jornada


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