BRICS aceleram o ritmo da “multipolaridade soberana”: mais 12 países na fila

Alfredo Jalife-Rahme

Analista geopolítico, autor e docente


O futuro geoeconómico/geopolítico está do lado dos BRICS à medida que o G7 se desvanece


A nova “ordem multipolar soberanista” (bit.ly/3E2ZrP4) está a ganhar ritmo com o vigor renovado dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que tinham estado adormecidos e hoje ganharam novo impulso com o terceiro mandato presidencial de Lula no Brasil, um dos seus co-fundadores, nos últimos 16 anos (bit.ly/3O1triQ).

Os BRICS constituem um bloco geo-económico de pleno direito, mas devido à disputa na Ucrânia, onde a nova ordem multipolar soberana está em jogo, foi acrescentada simultaneamente uma reviravolta geopolítica, uma vez que mais de uma dúzia de países emergentes relevantes (sic) – desde a Turquia à Arábia Saudita, passando pela Argentina – estão em fila de espera para aderir, já não estando dispostos a obedecer cegamente aos ditames dolarcêntricos de Washington que opera egocentricamente sem transferência de tecnologia – coisa que o seu concorrente chinês concede tanto no 15-RCEP (bit.ly/3Tw876f) assim como nos seus acordos comerciais com a ASEAN (bloco de 10 países do próspero sudeste asiático).

O PIB nominal do pentapartido BRICS ascende a 26,24 biliões de dólares (25,35% do PIB global de $103,5 biliões!), comparado com os 25,03 biliões dos Estados Unidos, de acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional para 2022.

O PIB nominal individual de cada um dos BRICS é: China, 18,3 biliões; Índia, 3,5 biliões; Rússia, 2,13 biliões; Brasil, 1,9 biliões; e África do Sul, 419 mil milhões de dólares.

Mas nem tudo é geoeconomia e hiper-materialismo económico quando três dos seus cinco membros – o famoso RIC (Rússia/Índia/China) do esquema do antigo primeiro-ministro russo Yevgeny Primakov – fazem parte do clube nuclear: Rússia, com 4.477 bombas nucleares (bit.ly/3ErlYGv); China, 350 (bit.ly/3Ty8gpQ), e Índia, 160 (bit.ly/3X0ppLR), de acordo com o Boletim de Cientistas Atómicos, o que lhes confere um estatuto geoestratégico único à escala global e regional.

Além disso, dois dos seus membros – Rússia e China – são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a que em breve deverá juntar-se a Índia – e, num lapso, até o Brasil.

Segue-se que o BRICS é um bloco meta-geoeconómico de primeiro nível com alcance geoestratégico, enquanto a administração Biden, na sequência das estranhas eleições de 6 de novembro – que ainda estão por resolver no Senado e na governação do Arizona – está envolvida num debate interno entre os seus militares, que querem negociar uma solução diplomática para a disputa da Ucrânia, de acordo com o NYT (nyti.ms/3NZWZxa), e a tríade maximalista cázara (amzn.to/2MR0PfM) de Jake Sullivan / Antony Blinken / Vicky Nuland que persistem em querer sangrar a Rússia até à secura, mesmo correndo o risco de Armagedão nuclear.

A propósito, os cinco membros do BRICS fazem parte do G20 – criado após o colapso do Lehman Brothers em 2008, e que substituiu de facto os desenhos/âmbito do G7 disfuncional – que se reúne em Bali (Indonésia) a 15-16 de novembro, onde os presidentes Biden e Xi (on.ft.com/3UztqFp) se reunirão em paralelo, enquanto a Rússia será representada pelo seu ministro dos negócios estrangeiros Sergei Lavrov, cujos movimentos diplomáticos serão intensamente escrutinados.

A Agência Anadolu cita o ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergei Lavrov, que disse que “pelo menos uma dúzia de países estão interessados em aderir ao bloco BRICS (sic) de economias emergentes (bit.ly/3TzpsLz)”: o interesse nesta parceria global é muito, muito, muito elevado e continua a crescer. Não se trata apenas da Argélia, Argentina e Irão. De facto, existem mais de uma dúzia de países assim, comentou Sergei Lavrov após o seu encontro com o seu homólogo indiano, o muito capaz e astuto Jaishankar, que parou no seu caminho a altivez de vários países europeus na ultrapassada ordem mundial.

Na minha opinião, os critérios de adesão aos BRICS são muito rigorosos e devem ser tornados mais flexíveis, dado que alguns candidatos podem desempenhar um papel implosivo de cavalo de Tróia, pelo que também se deve ter cuidado na sua selecção.

O futuro geoeconómico/geopolítico está do lado dos BRICS à medida que o G7 se desvanece.

Imagem de capa por GovernmentZA sob licença CC BY-ND 2.0


Peça traduzida do espanhol para GeoPol desde La Jornada


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Alfredo Jalife-Rahme
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