Baerbock ou Laschet: deveria ser essa a questão?

Não é a primeira vez que questões fundamentais são levantadas nas eleições para o Bundestag alemão. Em muitos casos, os chamados “campos” lutaram uns contra os outros para ajustar ou alterar o sistema de coordenadas que mantém a república unida. Isto teve lugar com um poderoso rugido, os confrontos não só foram preparados ao longo de meses. Também foram preparados intelectualmente. No dia das eleições, os eleitores sabiam em que ponto se encontravam com o campo que favoreciam ou se opunham.

Desta vez, no entanto, tudo parece ter decorrido sem problemas e não se fala minimamente de preparação intelectual. Na Alemanha, as pessoas estão de novo do lado certo e não estão de modo algum “a lutar pelo melhor do burgo”. Este caminho tem sido preparado ao longo de décadas. O seu início pode ser localizado onde a guerra contra a República Federal da Jugoslávia, que era contrária ao direito internacional, começou: na Primavera de 1999. Para poder liderar uma guerra de agressão apesar da proibição da Constituição alemã, para poder liderar exactamente esta guerra no seio da aliança da NATO contra um país membro das Nações Unidas, o Governo Federal na altura Schröder-Scharping-Fischer chegou à cornucópia de mentiras oportunas.

Nunca antes poucos mentiram a tantos com o efeito de uma guerra como a que ocorreu nessa altura. Na altura, o sistema de coordenadas da imprensa alemã tombou. Em vez de defender a liberdade de opinião e a diversidade de opiniões em prol da honra da constituição, o ceifeiro jornalístico assumiu o controlo. Sob a liderança dos chamados “Leitmedien” [meios principais], vozes críticas foram excluídas e mais tarde destruídas em nome da aliança. As redes transatlânticas dificilmente poderiam salvar-se de uma inundação de apoio. Afinal, o mais tardar desde a Primavera de 1933, as pessoas têm conhecimento das oportunidades oferecidas pelas “Baixas de Março” (März-Gefallenen). Foi adoptada uma frase comum para quando se trata de decisões relevantes em política de segurança: “Pode o Bundestag alemão decidir, ou deve o Atlantic Bridge fazê-lo por si próprio?”.

Quando a chanceler da CDU/CSU, em setembro de 2015, após a preparação adequada por parte de um austríaco que trabalhava para uma ONG, tomou a sua solitária e singular decisão de colocar as fronteiras estatais alemãs sem protecção, foi treinada para fazer passar esta decisão seguindo o exemplo da Primavera de 1999 e da guerra na Jugoslávia. O parlamento inteiro acobardou-se e não encontrou nada de errado com a medida, apesar de décadas de conhecimento detalhado sobre os movimentos migratórios. A chanceler alemã alavancou sozinha a substância do nosso Estado; colocou as fronteiras do Estado sem protecção, eliminou elementos nucleares da ordem constitucional. Ela usurpou a substância do povo alemão tal como definido pelos critérios internacionalmente vinculativos do direito constitucional que se aplicam à Alemanha.

O pico da irresponsabilidade política foi demonstrado em ligação com a pandemia de Corona, causando consequências fatais pelo Governo Federal, sob a liderança da chanceler. Desde o início da última década, fenómenos como a pandemia de Corona têm sido comunicados publicamente ao conhecimento do governo federal e do Bundestag, tendo sido também aprovadas resoluções sobre estes relatórios no Parlamento. A impotência do Governo Federal no início da pandemia por volta da viragem do ano 2019/2020 foi proverbial, e até hoje o povo alemão nada sabe sobre as causas desta pandemia.

Estes aspectos estão praticamente em cima da mesa antes das próximas eleições federais. Os eleitores na Alemanha têm em mãos critérios suficientes para as suas respectivas decisões eleitorais. No entanto, existe um fenómeno invulgar, a ser visto nos dois principais candidatos às eleições do Bundestag. Annalena Baerbock e o Partido Verde estão actualmente a derrapar, mas o vento de cauda tem vindo a soprar desde a nomeação de Baerbock há semanas. Claro que isto teria lugar, se Baerbock com o seu “Banco de trás” se dissociasse de tal forma de Angela Merkel e os seus dezasseis anos de governo, de modo a que o acerto de contas com os actuais tópicos acima mencionados, pudesse finalmente ter lugar.

Longe disso, durante muito tempo, a cidadania na Alemanha teve a impressão de que as mudanças qualitativas de facto e do Estado de direito da Alemanha feitas pela chanceler Merkel serão levadas a cabo pela Sra. Baerbock. As forças inquiridas que supostamente deveriam apresentar esta imagem ao público há muito que esperam pela sua vez. Na próxima conferência do partido dos Verdes, o objectivo é deslocar a “Alemanha” como o objectivo dos esforços políticos para todo o país, dos textos relativos ao partido e, se possível, da consciência.

A BBC relatou há algum tempo atrás sobre a Alemanha. Como se podia ler nessa altura: “A Alemanha perece” e isto estendeu-se sobre os telhados de várias grandes empresas de comunicação social. Quem não quiser esta conclusão da política de Merkel pelos Verdes é virtualmente forçado a lidar com a candidatura de Armin Laschet – e de facto este é um acto de equilíbrio. Por um lado, ele representa as políticas de um partido que “fez” o acima mencionado ao nosso país. Por outro lado, ele não apareceu pessoalmente como um “divisor da nação”. As declarações de Baerbock na direcção de Moscovo deixam claro que ela está disposta a seguir o caminho do confronto absoluto no interesse de outros contra a Rússia. Desde Joschka Fischer, a guerra tem estado “em boas mãos” entre os Verdes. Uma atitude deste tipo não pode ser observada no caso de Laschet.

Se olharmos de perto, podemos ver os pontos de partida factuais e pessoais de Laschet e da sua equipa para reajustar a Alemanha e a sua ordem constitucional. A Alemanha deve libertar-se de Merkel. Com Baerbock, Merkel será completada em detrimento da Alemanha. Mas Laschet poderia ser a correcção que se impõe.

As ideias expressas no presente artigo / comentário / entrevista refletem as visões do/s seu/s autor/es, não correspondem necessariamente à linha editorial da GeoPol

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