As sanções europeias contra a Turquia são mais prováveis do que nunca

Armen Tigranakert
Modern Diplomacy

Outro escândalo irrompeu nas relações entre a Turquia e a UE – a 22 de novembro, o navio mercante turco, Roseline A, foi detido e totalmente inspeccionado pelo pessoal da fragata alemã Hamburg no Mar Mediterrâneo Oriental, 160 milhas náuticas a norte da cidade líbia de Benghazi.

Uma vez que não foram encontradas armas a bordo, Ancara recebeu satisfação moral que mais tarde se transformaria em notas de protesto exigindo um pedido de desculpas e compensações, bem como declarações sobre a “turcofobia” europeia. A Turquia irá certamente utilizar esta causa de todas as formas possíveis – serão feitos os protestos necessários; serão instaurados processos judiciais. Esta mesma questão será incluída na agenda das actividades da Turquia na NATO e na ONU. A parte turca já declarou o seu protesto oficial, e os embaixadores da UE foram convidados para “conversações” com o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco.

Vale a pena notar que este incidente ocorreu pouco antes da próxima cimeira da UE, marcada para 10 de dezembro, dedicada à possível imposição de sanções contra a Turquia pelas suas acções no Mar Mediterrâneo Oriental. Os altos funcionários da UE estão mais uma vez a tentar tornar claro à Turquia que as suas actividades na região são inaceitáveis e “as sanções são mais prováveis do que nunca”.

Além disso, a 26 de novembro, os eurodeputados votaram por maioria absoluta a favor de um projecto de resolução que apela aos estados membros da UE para que imponham sanções duras a Ancara. O documento salienta que as relações entre a Turquia e a UE atingiram um “mínimo histórico” devido às acções de Ancara no Mediterrâneo, Líbia, Síria e Nagorno-Karabakh.

A Europa envia sinais constantes à Turquia de que a sua posição é contrária aos valores europeus, interesses e compreensão da segurança regional e global.

O que acontecerá na cimeira de 10 de dezembro, quando a UE debaterá mais uma vez as sanções contra a Turquia? Até onde a UE estará pronta para ir e que medidas Ankara tomará num futuro próximo para a impedir? Agora a Turquia fornece uma política mais contida, tentando não dar uma alavanca à Europa, Paris, ou Berlim.

A França ainda pode ser o país mais anti-turco da UE, mas agora Berlim começa a agir mais abertamente contra Ancara. O incidente no Mediterrâneo Oriental foi aprovado antecipadamente pela liderança alemã, com toda a certeza. Isto significa que a situação da Turquia está a mudar para pior na véspera da cimeira da UE, tão importante para Erdogan.◼

As ideias expressas no presente artigo / comentário / entrevista refletem as visões do/s seu/s autor/es, não correspondem necessariamente à linha editorial da GeoPol