Os negócios no mundo pós-neoliberal segundo o Financial Times

Alfredo Jalife-Rahme

Analista geopolítico, autor e docente


Nos Estados Unidos, tudo está prestes a ser reinventado na fase pós-globalização. Reinventar-se ou morrer ante a China quando “a globalização fracassou”


O jornal globalista monárquico neo-colonialista Financial Times está angustiado com a desglobalização e a nova ordem multipolar emergente devido à guerra multi-dimensional na Ucrânia.

A sua muito astuta colunista Rana Foroohar, uma notória infiltrada do Deep State (on.ft.com/3ED2fo2), aborda as novas regras para os negócios no mundo pós-neoliberal, quando “a economia do laissez faire nos Estados Unidos está lentamente a ser substituída (sic) por uma abordagem política mais intensiva (/on.ft.com/3MsnydM)”.

Hoje, o pêndulo económico afastou-se do neoliberalismo anglo-saxónico desregulamentado do Thatcherism/Reaganomics.

Rana Foroohar dá o exemplo do repúdio à Trussonomics: a bizarra redução (sic) dos impostos sobre a plutocracia pela belicosa primeira-ministra britânica Liz Truss, que pôs em perigo a sua liderança.

Comenta que não é só a Grã-Bretanha que enfrenta o deslize do neoliberalismo: a Casa Branca já fez a mudança para a era pós-neoliberal, como muitos na comunidade empresarial se preparam para ela.

Os CEOs podem não gostar da ideia de um mundo desglobalizado (mega-sic!) com mais regulamentação, maior controlo estatal (mega-sic!) e aumento da força de trabalho.

Apresenta o “plano claro da administração Biden para a economia” e as suas “novas regras (bit.ly/3TisaFG)”: Capacitar os trabalhadores, utilizando orçamentos federais para apoiar os sindicatos. Sim, é verdade. Mais: o Partido Democrata pode perder o controlo no Congresso a 8 de novembro quando o neoliberalismo Clintonomics, então apoiado pelo duo Obama/Biden, desdenhou a sua base sindical tradicional que foi capturada por Trump.

Tirar o máximo partido da política fiscal num Congresso polarizado para reforçar as famílias trabalhadoras (sic) na saúde e na assistência à infância.

Rana Foroohar afirmou, após o triste Fórum Económico Mundial em Davos, que “se os ricos não derem um pouco mais hoje, terão de dar muito mais amanhã (on.ft.com/3SVpAFz)”.

Peca por idílica Rana Foroohar, uma vez que a psicologia de um plutocrata inseguro reside no açambarcamento sem limites, como demonstra a neurofisiologia do seu arquicórtex – o mais primitivo dos três cérebros, de acordo com Paul MacLean.

Biden quer “liderar o lado da oferta do sector privado” para operar uma importante mudança fundamental no foco da distribuição para a produção: de volta à política industrial quando a “economia do laissez faire desregulada acabou”. Adeus ao insano financeirismo do Thatcherismo/Reaganomics!

Rana Foroohar assinala que a dissociação formal (sic) entre os EUA e a China está a ganhar ímpeto, uma vez que “re-shored/near-shored (por exemplo, México e Brasil)” já está a ser praticada através de regras mais rigorosas sobre transferência de tecnologia, enquanto que os investimentos federais em veículos eléctricos estão a ser implementados. A excelente análise da WSWS sobre “controlos paralisantes das exportações americanas de chips avançados para a China” merece ser examinada (bit.ly/3CRkyUX).

Resiliência e redundância em cadeias de fornecimento cruciais com enormes investimentos da Intel e da Micron em chips.

Rana Foroohar argumenta que o super-dólar pode ser contraproducente para uma economia de produção e exportação mais ampla quando os EUA têm sido favorecidos por custos energéticos mais baixos em relação à Europa.

Apoio ao patriotismo económico bipartidário. Rana Foroohar dá muita quilometragem ao congressista democrata da Califórnia Ro Khanna – um fanático pela democracia multirracial – que defende que os EUA devem alcançar um excedente comercial com o resto do mundo até 2035 (sic) e promove a oferta de empréstimos com juros zero às fábricas.

Rana Foroohar elogia o projecto Reimagining the Economy, de Dani Rodrik e Gordon Hanson da Universidade de Harvard (bit.ly/3Cvha0Q) por terem substituído os paradigmas políticos neoliberais.

Nos Estados Unidos, tudo está prestes a ser reinventado na fase pós-globalização. Reinventar-se ou morrer ante a China quando “a globalização fracassou (bit.ly/3TcJTid)”.

Imagem de capa por International Monetary Fund sob licença CC BY-NC-ND 2.0


Peça traduzida do espanhol para GeoPol desde La Jornada


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