Washington prefere o confronto às negociações e pretende utilizar o cenário para tornar a ASEAN dependente do apoio militar dos EUA


A geopolítica global atual tem mais a ver com a competição entre grandes potências do que com qualquer outra coisa. Isso é evidente no conflito militar em curso na Europa Oriental e é evidente na forma como os EUA têm tentado construir uma coligação global contra a China nos últimos anos. Até à data, Washington não obteve qualquer sucesso substancial. Embora Washington, presumindo que existe um grande potencial de conflito na região e que os países estão ansiosos por encontrar um aliado poderoso contra a China, esperasse conseguir convencer as nações do Pacífico — incluindo a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) — a juntarem-se a si, tal não aconteceu. Os recentes desenvolvimentos indicam que nunca foi tão improvável que tal acontecesse num futuro próximo como atualmente. Na atualidade, a maioria das nações do Pacífico aprendeu a adaptar-se à atual competição entre grandes potências, não em termos de escolher, ou de ter de escolher sob pressão, um lado em detrimento do outro, mas em termos de jogar em ambos os lados para extrair o máximo de vantagens. As nações do Pacífico estão a jogar um jogo longo, um jogo que pode não ser muito entusiasmante para Washington, mas que é certamente o que lhes serve.

geopol.pt

BySalman Rafi Sheikh

Licenciado na Universidade Quaid-i-Azam, em Islamabad, escreveu tese de mestrado sobre a história política do nacionalismo do Baluchistão, publicada no livro «The Genesis of Baloch Nationalism: Politics and Ethnicity in Pakistan, 1947-1977». Atualmente faz o doutoramento na SOAS, em Londres.

Leave a Reply

error: Content is protected !!