A “guerra do lítio” dos EUA contra a China

Alfredo Jalife-Rahme

Analista geopolítico, autor e docente


Pequim tem a liderança de aquisições desde a América do Sul até ao México


A guerra multidimensional dos EUA contra a China (bit.ly/3wiyvHZ) – que começou com os acordos comerciais anti-China de Obama e a sua falhada TPP (bit.ly/3Aevtpg), continuou com Trump através do 5G da Huawei e foi acentuada pela Guerra dos Chips de Biden – parece deterministicamente extrapolada para a guerra do lítio, na qual Pequim tem a liderança de aquisições desde a América do Sul até ao México.

A China opera o seu jogo clássico de go (on.china.cn/3PLWuGA)”, no qual o adversário é sufocado e não submetido ao cheque-mate do xadrez persa/hindú.

Enquanto uma guerra do lítio que não ousa falar o seu nome (bit.ly/3QCAQFD) está a ser travada por EUA/NATO/União Europeia contra a Rússia na entelequia ucraniana, as jazidas de petróleo branco no triângulo sul-americano da Bolívia/Argentina/Chile e no México – para não mencionar na região Indo-Pacífico, da Austrália à Índia, sem mencionar a África (bit.ly/3K7lGWL) – são já o teatro geopolítico de batalha entre os EUA e a China pelo seu precioso controlo.

Segundo a S&P Global Market Intelligence (30.08.21), a China comprou 4.325,5 milhões de dólares de lítio, seguida pelos EUA, 1.388,5 milhões; Austrália, 707,7 milhões; Canadá, 109 milhões; e Grã-Bretanha, 28,4 milhões. Segue-se que os quatro países da Anglosfera – EUA, Canadá, Austrália e Grã-Bretanha – compraram cerca de metade do que a China comprou (bit.ly/3ClmBkC). Cada país tem a sua própria especificidade geopolítica.

A Bolívia – um verdadeiro estado plurinacional – com as maiores reservas mundiais, que sofreu um golpe de lítio obsceno liderado por Trump/Elon Musk/Tesla (bit.ly/3c9FlZv), está agora a negociar a exploração de depósitos com os EUA (mega-sic!), Rússia, Alemanha e China. Yacimientos de Litio Bolivianos (YLB) é a empresa estatal que negoceia o investimento estrangeiro, mas retém a maioria para industrializar o lítio.

Quatro empresas chinesas, BRUNP&CMOC, Citic Guoan/Crig, Fusion Enertech e Xinjiang TBEA Group Co. estão no topo da lista de licitação. De acordo com a Forbes, a empresa chinesa Genfeng Lithium pretende expandir-se na Argentina com um investimento de 962 milhões de dólares e planeia comprar 100% (mega-sic!) da Lithea Inc. (bit.ly/3KgA8fa).

A China, o maior mercado mundial de carros eléctricos, está a procurar integrar os materiais no seu processo de fabrico. A Anglosfera não fica muito atrás na Argentina, onde adquiriu um projecto em Salta (bit.ly/3PFlHCr). Actualmente, a China refina 60 por cento do lítio mundial, controla 77 por cento da capacidade das células de baterias e 60 por cento do fabrico de componentes de baterias (bit.ly/3QZItpG).

Embora os montantes do contrato sejam escassos, a BYD chinesa conseguiu um contrato de mineração de 121 milhões de dólares com a empresa chilena Servicios y Operaciones Mineras del Norte, contornando dois dos maiores produtores mundiais – a US Albemarle (que produz 19 por cento do lítio mundial) e a SQM do Chile (17 por cento; bit.ly/3pyhx4D).

O Tianqi Lithium da China detém uma participação substancial no SQM do Chile, uma vez que Pequim domina a cadeia global de fornecimento de baterias de iões de lítio, enquanto os seus concorrentes na Anglosfera lutam para controlar o chamado “petróleo branco (bit.ly/3pAAYcU)”.

O presidente López Obrador, que generosamente deu asilo ao seu homólogo Evo Morales, agora na fase do presidente Luis Arce, concluiu um acordo para as empresas estatais mútuas fabricarem baterias de lítio (bit.ly/3ChvPOJ), embora o México ainda não tenha formalizado a empresa estatal de lítio gerida pelo Ministério da Energia – quando Tatiana Clouthier do Ministério da Economia foi apanhada a tentar oferecer o lítio mexicano à Albright Stonebridge/Rothschild Bank/George Soros (bit.ly/3ABmKyU).

A empresa chinesa Genfeng Lithium tem uma participação de controlo na Bacadéhuachi (em Sonora; bit.ly/3KooK0V), o maior depósito de lítio do mundo. Uma variante da guerra de lítio em Sonora entre a Genfeng Lithium e a Tesla de Elon Musk está no horizonte.

Imagem de capa por Danielle Pereira sob licença CC BY 2.0

La Jornada


Peça traduzida do espanhol para GeoPol desde La Jornada


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